O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 13/09/2020
Na época das grandes navegações, um grave problema vitimizava os marinheiros em alto-mar, assim como descrito por Camões em “Os Lusíadas”. Atualmente, sabe-se que a causa era uma doença conhecida como escorbuto, ocasionada pela carência de vitamina C. Essa situação é uma demonstração da importância de uma dieta balanceada para a manutenção de uma vida saudável. Entretanto, a realidade cotidiana do brasileiro influencia no desenvolvimento de hábitos alimentares prejudiciais à saúde.
Antes de tudo, é importante compreender que os costumes da população do Brasil frente a comida são consequência da conjectura social. O alto preço dos alimentos, a falta de conhecimento e a rotina cheia e conturbada contribuem para a manutenção de uma alimentação pobre em nutrientes, principalmente entre os de baixa renda. Comidas industrializadas, apesar de seu efeito negativo ao bem-estar, acabam sendo um atrativo, devido ao seu menor custo e praticidade. Tal fato é observado a partir da disseminação de redes de “fastfood” pelo mundo. A rede Mc Donalds, por exemplo, já está presente em todos os continentes do planeta e inaugurou, em 2019, a sua milésima loja no Brasil. Entretanto, os prejuízos acarretados por essas práticas se manifestam na saúde do povo.
Tendo em vista tal realidade, é válido destacar os riscos oferecidos por uma cultura alimentar negativa. O consumo excessivo de alimentos processados, em detrimento aos naturais, contribui para o aparecimento de quadros como obesidade, que está estritamente ligada a causa de doenças cardíacas e diabetes. O consumo exagerado de sódio, assim como acontece no Brasil, segundo dados da Fiocruz, tem consequência direta no desenvolvimento de quadros como hipertensão. Desse modo, é fundamental reverter tal cenário, considerando que afeta a boa condição de vida de milhares de pessoas.
Uma boa alimentação é fundamental para o equilíbrio e homeostase do corpo humano e é primordial estimular hábitos que corroborem com isso. A fim de alcançar e disseminar tais para a população brasileira, é necessário, portanto, que as escolas ensinem, desde os anos iniciais, a interferência e atuação dos alimentos no nosso organismo, estimulando a criação de uma boa relação com a comida e de cuidado consigo mesmo. Tal ação pode ser feita a partir de aulas de culinária e palestras com nutricionistas, médicos e educadores físicos. Além disso, o ministério da saúde, em parceria com a mídia, deve criar campanhas que exemplifiquem os riscos do consumo excessivo de industrializados e ensinem maneiras práticas e baratas de manter o bem-estar. Dessa forma, ninguém mais precisará ser vítima de uma alimentação pobre, assim como foram os marinheiros.