O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 15/09/2020

Durante o século XIX, os cientistas e médicos românticos alertavam à sociedade sobre os impactos de uma alimentação não saudável para a saúde física e psíquica. No livro ‘’Sobre a auto poluição’’, o nutricionista estadunidense Sylvester Graham expõe a importância da temperança para as escolhas diárias, indicando que um indivíduo enfermo representava uma população doente. De tal maneira, no Brasil contemporâneo, facilitado pela vida moderna e tecnológica, o mau comportamento alimentar gera o aumento de obesidade infantil.

De acordo com a pesquisadora da Universidade de Sydney, Melody Ding, o desenvolvimento da economia e o avanço da urbanização modificaram o estilo de vida populacional. Como demonstrado pela Organização Mundial da Saúde, a dinamização do cotidiano nacional, o que inclui alta carga horária de trabalho e transporte, promoveu a busca por mantimentos práticos e rápidos, como os ultraprocessados, e diminuiu as refeições caseiras e em conjunto com toda família. Dessa forma, compreende-se que na modernidade o núcleo parental busca por agilizar o processo alimentício, o que resulta nas escolhas por lanches industrializados, calóricos e com altos níveis de conservantes.

Como consequência, segundo o Ministério da Saúde, 13% das crianças brasileiras são consideradas obesas. O documentário ‘’Muito além do peso’’ apresenta uma série de entrevistas com pais e profissionais que relatam os efeitos da obesidade, como os problemas cardiovasculares, a diabetes e até mesmo a depressão. Em um dos momentos dramáticos da obra, é relatado os sentimentos das crianças, no qual mostra a vulnerabilidade emocional, como sentimento de culpa, medo e vergonha. Sendo assim, verifica-se os drásticos resultados de um mau comportamento alimentar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Logo cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as instituições escolares públicas e privadas promover a educação nutricional por meio da inclusão no currículo educacional de aulas sobre a temática desde o ensino fundamental e, ainda mais, realizar palestras conduzidas por nutricionistas e psicólogos com todo o núcleo familiar a fim de desenvolver um acompanhamento com os responsáveis sobre a saúde do aluno, e consequentemente, formar uma sociedade mais saudável.