O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 14/09/2020

Em uma breve reflexão sobre o filme “Fome de Poder”, pode-se extrair uma relação intrínseca entre as estratégias capitalistas de consumo e a intensificação de péssimos hábitos alimentícios. Nesse viés, associa-se o predominante inadequado comportamento alimentar brasileiro, majoritariamente, ao moderno estilo de vida enérgico e à forte influência do marketing da indústria da alimentação, presente na esfera midiática - como principal sequela de tais fatores, a vulnerabilidade da saúde nacional.

A princípio, é indubitável a interferência da Primeira Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, nas práticas sociais, uma vez que o homem construiu uma percepção da vida em função do tempo. Nessa enfoque, nota-se, desde então, um cotidiano fortemente ritmado e, dessa forma, tem-se a gradativa busca por refeições rápidas, de maneira a comprometer a imprescindibilidade nutricional. Exemplifique-se, assim, 80% das pessoas apresentarem dificuldade em manter uma alimentação regrada, devido aos diversos compromissos diários, consoante o Portal G37. Posto isso, a acentuada agitação rotineira pode robustecer a  incidência de doenças, pois a mesma implica o empobrecimento nutritivo e, de acordo com a médica Gillian McKeith, “Você é o que você come”.

Ademais, o peso do sistema capitalista impõe a alimentação como mercadoria e, por conseguinte, produz a aliança entre o prazer e os pratos gordurosos, de modo a promover inconsequentes propagandas atrativas. Nessa perspectiva, em determinados episódios do desenho animado “Bob Esponja” torna-se possível enxergar as artimanhas do capitalismo ao propiciar a intensificação dos lucros a partir da imposição de um maior consumo. Nesse ponto de vista, o estudo do Fato Social - proposto pelo sociólogo Émile Durkheim - revela que o homem é influenciado pelo meio em que vive e, sendo assim, a forte presença do marketing da indústria alimentícia nas mídias sociais tende a acentuar a ingestão de alimentos com baixo teor nutritivo e altamente maléfico à saúde e, consequentemente, suscitar o adoecimento da sociedade preponderante.

Frente aos obstáculos sociais abordados, urge, por consequência, medidas resolutivas e socialmente responsáveis para abrandar a problemática. Nesse prisma, é indispensável o papel do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação na criação de um Plano Alimentar Brasileiro. Tal projeto, por sua vez, deverá disseminar a importância de uma alimentação qualitativa e as formas para obtê-la, por meio de campanhas educativas em empresas e escolas, fundamentadas por nutricionistas e psicólogos, e investir financeiramente em propagandas de nutrição in natura, a fim de fomentar a valorização de uma refeição verdadeiramente nutritiva e mitigar possíveis transtornos alimentares. Dessarte, o país caminhará em prol da consolidação da hegemonia da homeostase social.