O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 14/09/2020
O mercado cria ou atende demandas?
A discussão a respeito do comportamento alimentar brasileiro tem ganhado cada vez mais relevância, à medida que o número de doenças provenientes de uma má alimentação aumentam no Brasil e no mundo, tais como: obesidade e anemia nutricional. Diante disso, uma análise a respeito desse assunto se faz necessária para que seja possível entender suas causas e consequências.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica), em sua ultíma pesquisa, 2008/2009, das crianças brasileiras, 36,6% estão acima do peso. Enquanto que, em 1974, esse indíce era de 1,4%. Nesse sendido, vale ressaltar que no período em questão, o consumo de alimentos industrializados, altamente calóricos e pouco nutritivos como fast foods, enlatados, processados e embutidos tornaram-se parte da nossa cultura.
Haja vista à aceleração presente na modernidade, é cabível questionar se a demanda por “comidas rápidas” é uma adequação da industria às necessidades dessa sociedade, ou se a população é que está se adaptando ao que o mercado da alimentação fornece. Visto que, a produção em larga escala minimiza os custos e, consequentemente, promove maior lucro. Além disso, existe um esforço demasiado do marketing em aumentar as vendas de alimentos dessa natureza, tornando-se, inclusive, pauta de discussões no judiciário e legislativo.
Estes alimentos ricos em xenobióticos, compostos químicos estranhos ao organismo, fazem cada vez mais parte do dia-a-dia do brasileiro. Esses, tornaram-se, por vezes, substitutos de refeições, seja pela praticidade, ou até mesmo pelo custo mais acessível, já que o consumo de alimentos livres de adtivos é, também, um novo nicho de mercado a ser explorado. Porém, inacessível para maioria, devido ao custo.
Assim, é possível perceber uma correlação entre o comportamento alimentar dos brasileiros, cada vez mais distante do ideal, e as práticas industriais. Consequentemente, a saúde é a maior prejudicada. Portanto, para que esse problema seja amenizado, faz-se necessário que exista uma política de orientação alimentar nas escolas, em parceria com profissionais de saúde, para que pessoas de baixa renda tenham acesso à nutricionistas, a fim de definir dietas mais apropriadas como estratégia preventiva. Além disso, é necessário que o Ministério da Economia fomente politicas financeiras capazes de tornar o mercado interno de produção agrícola, responsável pelo abastecimento nacional, mais competitivo, visto que existe hoje uma prioridade em aquecer o mercado exportador de monocultura.