O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 14/09/2020
Segunda sem carne, arroz e feijão
O economista Adam Smith argumentou, no livro A Riqueza das Nações, sobre a importância de todos os países se especializarem na produção de um único tipo de produto, afim de atingir sua máxima potencialidade. Neste cenário, o Brasil se estabeleceu como uma potência econômica agroexportadora, e assim de mantém até hoje. Além disso, esta posição histórica reflete no comportamento alimentar dos brasileiros, já que os debates que mais reverberam giram em torno do papel do agronegócio na segurança alimentar do Brasil e do mundo, além dos impactos gerados pela exploração dos solos e a agricultura predatória, predominante nas maioria das terras.
Convém ressaltar a recente variação dos preços dos alimentos considerados básicos, como arroz, feijão, trigo e carnes, fato que assusta muitos brasileiros, o que faz com os os almoços de diversas famílias fique cada vez mais caros e, consequentemente, mais limitados. Com isso, o assunto da segurança alimentar ressurge, com ele, questionamentos de como um país com vastas terras e plantações mantém os alimentos tão caros nas prateleiras dos mercados. Portanto, indubitavelmente, faltam medidas das autoridades na regulamentação dos preços desses insumos básicos, para garantir que a fome não volte a assolar o país.
Igualmente, salientam-se os impactos ambientais causados pelo agronegócio, principalmente na crescente plantação de soja (utilizada, sobretudo, na fabricação de rações para o gato), e a expansão da fonteira agrícola nas longínquas terras entre Cerrado e Amazônia. Pesquisas apontam que países desenvolvidos, como França e Alemanha, conseguem produzir maior variedade de alimentos em porções menores de terras do que o Brasil. Neste sentido, verifica-se a incômoda posição adquirida pelos grandes empresários do agronegócio, já que os esforços para manter o país predominantemente agrário pode trazer consequências maléficas e irreparáveis.
Portanto, é notório que o comportamento alimentar dos brasileiros precisa ser discutido pelas autoridades competentes. Logo, medidas devem ser tomadas para que a alimentação, direito assegurado pela Constituição Cidadã de 1988, seja garantida a todos os cidadãos do país, tal como, por meio de rígido controle, os órgãos responsáveis devem fiscalizar a venda de alimentos, na qual o mercado interno deve ser priorizado, e a exportação deve ser apenas do excedente, além disso, os alimentos advindos da agricultura familiar devem ser incentivados e isentos de impostos, para que todos os brasileiros possam ter acesso a uma alimentação balanceada e acessível. Somente assim, o Brasil poderá, de fato, assegurar um comportamento alimentar saudável aos seus habitantes.