O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 15/09/2020

“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”. Tal máxima dita por Hipócrates, fundador da medicina, não é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que grande parte da população possui um péssimo comportamento alimentar, o qual acarreta diversos prejuízos à saúde. Isso ocorre ora devido à ausência de educação alimentar nas escolas, ora em decorrência da falta de acesso a alimentos de qualidade pela parcela mais pobre da sociedade.

A priori, é imperativo relacionar a falta de instrução alimentar com o pensamento de Theodor Adorno e Max Horkheimer. Segundo os sociólogos da Escola de Frankfurt, a educação mundial preocupa-se simplesmente com a memorização de conceitos, visando o benefício do sistema vigente com a futura mão de obra do estudante, deixando de lado a individualidade e bem estar de cada um. Nessa perspectiva, sem priorizar o bem estar  singular, a correta educação alimentar durante o período escolar é deixada de lado. Assim, os indivíduos desenvolvem-se com lacunas acerca dos malefícios e benefícios de determinados alimentos, utilizando o senso comum como base de escolha nutritiva, podendo suscitar prejuízos à integridade fisiológica.

A posteriori, é imperioso concatenar as consequências da pobreza com a ideia de Cegueira Moral de Zygmunt Bauman. Conforme o sociólogo polonês, a maldade não está mais restrita à violência física e atitudes bélicas, mas à insensibilidade e falta de preocupação para com o outro. Sob esse viés, inúmeras empresas aproveitam-se da fragilidade da fiscalização em determinados produtos alimentícios e os adulteram com substâncias extremamente prejudiciais à saúde, em sua grande maioria os mais baratos, como salsichas, enlatados e carnes menos nobres, prejudicando os menos favorecidos que não tem outra alternativa de compra, tendo como causa a escassez financeira.

Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível a melhoria da qualidade alimentar da população. Necessita-se, precipuamente, que o Tribunal de Contas da União (TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de palestras em instituições de ensino públicas e privadas focadas na educação alimentar. Isso deve ser feito por meio da contratação de nutricionistas, que busquem induzir os estudantes a terem bons hábitos alimentares, explicando a importância para a saúde e alertando-os a respeito dos perigos intrínsecos aos produtos enlatados e industrializados. Com a finalidade torná-los aptos à ingressarem na sociedade com discernimento e instrução, para assim ser possível construir bom hábitos alimentares e, consequentemente, manter uma boa saúde.  Dessa forma, os brasileiros entrarão em harmonia com a visão de Hipócrates e demonstrarão que o melhor remédio é uma boa alimentação.