O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 15/09/2020

Em “O Veneno Está na Mesa”, o cineastra Silvio Tendler discorre acerca da importância de uma alimentação saudável, livre de agrotóxicos e as consequências provenientes de seu uso. No contexto brasileiro nunca foi tão necessário discutir sobre comportamento alimentar. Infelizmente ao analisar-se o panorama atual é possível perceber que a lógica “mercadista”, com vista ao capital, não se importa com a saúde e qualidade de vida da população. Em contraste ao “grande capital”, ou ainda, aos latifundiários, pequenos agricultores e cooperativas rurais vinculadas ao MST podem ser uma saída positiva para o impasse.

Primeiramente, é necessário analisar o agronegócio como agente estrutural da cultura alimentar brasileira. A agroindústria é a base da economia no país, porém, a maior parte da terra utilizada é destinada à pecuária, cuja carne é, em grande escala, para exportação, e à produção de ração para sua própria manutenção. Há ainda, o sistema de monocultura, que, para proporcionar alto rendimento econômico, se vale de uso excessivo de agroquímicos. Depreende-se da análise, portanto, que o comportamento alimentar brasileiro sofre indução do mercado, que pretende vender em grande escala para reter lucros, independente da saúde e qualidade alimentar do povo brasileiro.

Em segunda análise, cabe à discussão as possibilidades para a expansão da agroecologia, que tem o intuito de proporcionar alimentos saudáveis e em larga escala. Dessa forma, seria possível transformar o comportamento alimentar brasileiro integrando práticas mais benéficas à saúde. Seriam, então, esses, alguns dos principais objetivos do MST(Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). A população camponesa é capaz de uma alta produtividade de alimentos orgânicos e poderiam ser os responsáveis pela alimentação do povo brasileiro, caso fossem efetivamente assegurados do pleno direito de terra.

Tendo em vista a problemática discorrida, medidas devem ser tomadas para superar o impasse. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, deve pressionar a volta da Reforma Agrária, e descontingenciamento de recursos, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados . O projeto seria fundamentado na necessidade de reestruturar o modelo de produção de alimentos e aproveitamento de terras e recursos naturais vigentes no país. Ao se disponibilizar terras aos camponeses a produtividade aumenta, logo, são capazes de produzir alimentos saudáveis para todo o país, contribuindo, ainda, com o meio ambiente e direitos humanos. Espera-se com essa ação, a transformação positiva do comportamento alimentar brasileiro, tendendo à uma sociedade mais justa e saudável.