O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 15/09/2020

Stefan Zweig, escritor austríaco, afirma em sua obra literária que o Brasil é o país do futuro. Contudo, verifica-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre justamente o oposto do que o autor prega, principalmente, no que se refere ao comportamento alimentar brasileiro, uma vez que apresenta graves obstáculos, os quais dificultam a concretização dos planos de Zweig. Esse quadro antagônico é fruto tanto da inobservância estatal, quanto da passividade do corpo civil.

Em primeiro plano, é válido destacar que a displicência estatal agrava os desafios acerca de uma melhor conduta alimentar brasileira. De acordo com a constituição federal do Brasil, promulgada no ano de 1988, todo cidadão brasileiro tem direito a uma qualidade de vida decente. Em contrapartida, ao se analisar a péssima qualidade dos produtos vendidos pelas grandes distribuidoras e o impacto negativo causado na saúde populacional, é imprescindível que essa premissa constitucional é violada pelo governo nacional. Dessa maneira, é importante salientar que a insuficiente atuação do Estado provoca uma baixa qualidade nas carnes brasileiras, seja por misturas inapropriadas ou pelo uso desordenado de substâncias cancerígenas utilizadas na preparação, provocando uma péssima qualidade alimentar, por conseguinte, garante a condição de subcidadania da maioria da população.

Outrossim, é imperativo pontuar que a inércia do corpo civil impulsiona a problemática abordada. Em paralelo a esse cenário caótico, as idéias de Max Weber explanam que os valores são os principais catalizadores de mudanças positivas na comunidade. Nesse viés, ele acreditava que os indivíduos dispunham de liberdade para agir e modificar a sua realidade circundante. Em contraponto a essa lógica weberiana, a paralisia social, no Brasil, ocasiona uma intensa distribuição de carnes, que estão com misturas inapropriadas, além do uso irresponsável de produto químicos sem nenhuma fiscalização, já que a população não se mobiliza nos meios de comunicação de massa, em prol da importância de se ter uma alimentação mais decente, sobre tudo da saúde comunitária. Logo, medidas são viáveis para alterar a pífia ação da camada populacional.

Dessa forma, pode se perceber que o debate acerca da qualidade alimentar brasileira é imprescindível

na construção de uma sociedade mais justa. Nesse sentido, é imperativo que o Ministério da saúde em parceria com as prefeituras de todo o país, destine verbas para ampliação para a contratação de grupos de fiscais, os quais os editais poderão ser abertos mais vezes ao ano, por meio da inclusão de seu objetivo na base de diretrizes orçamentarias, com o intuito de minimizar o uso exacerbado de produtos químicos, a distribuição de carnes vencidas e as misturas inapropriadas. Feito isso, a sociedade brasileira caminhará em direção à utopia de Zweig.