O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 15/09/2020
O documentário americano “Forks Over Knives” apresenta o atual panorama dos padrões alimentícios mundiais, denunciando os danos que a manutenção de uma dieta baseada na ingestão de produtos industrializados pode acarretar à saúde humana. De maneira análoga ao retratado na narrativa documental, o consumo de alimentos ultraprocessados e industrializados é uma realidade substancialmente presente na conjuntura nacional hodierna, fazendo surgir uma série de questionamentos acerca da qualidade dos hábitos alimentares tupiniquins. Dessa forma, convém o emprego de uma análise crítica acerca das causas e consequências do impasse para o país.
A princípio, verifica-se que a inércia estatal frente a situação se configura como uma das principais causas do imbróglio. Consoante a Constituição Federal - em seu artigo 6° -, é dever da União garantir que todos os seus cidadãos possuam pleno acesso à uma dieta alimentar saudável e equilibrada, possuindo todas as suas necessidades nutricionais básicas saciadas. Todavia, ao analisar a conjuntura tupiniquim hodierna, é perceptível que esse ideal é constatado na teoria e não, desejavelmente, na prática, haja vista a inexistência de programas governamentais que visem sensibilizar e instruir todo o tecido social pátrio acerca dos métodos para a manutenção de uma rotina alimentar nutricionalmente equilibrada e de sua relevância à saúde humana. Assim, como consequência para tal omissão, tem-se a existência de uma sociedade não nutricionalmente instruída, em que cerca de 90% de seus indivíduos não possuem hábitos alimentares saudáveis, conforme reportagem do portal G1.
De outra parte, nota-se que a intensa rotina cosmopolita vigente no século hodierno contribui para a inexistência de práticas nutricionais benéficas à saúde no tecido social pátrio. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman – em sua teoria da Modernidade Líquida – pontua que a atual sociedade se caracteriza por uma fragilidade e fluidez na relação dos indivíduos com o tempo, que tem se tornado cada vez mais efêmero diante dos inúmeros afazeres que acometem o cotidiano presente. Nesse contexto, para acompanhar o frenético ritmo da sociedade contemporânea, o indivíduo negligencia a própria saúde e opta por consumir as refeições mais rápidas e práticas possíveis, sendo comum a escolha por fast-foods e demais industrializados.
É evidente, portante, a necessidade na mitigação do revés. Destarte, cabe ao Estado, em parceria com os empregadores, ofertar minicursos no ambiente laboral com o intuito de conscientizar e instruir os indivíduos acerca de estratégias eficientes para uma alimentação saudável mesmo imersos em uma rotina agitada. Tais cursos seriam ministrados por profissionais na área de nutrição. Por fim, cabe ao Ministério da Educação instituir a educação alimentar como componente curricular nacional obrigatório.