O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 17/09/2020

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, a ingestão de alimentos inadequados pelos brasileiros é uma problemática para que isso ocorra de fato. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência governamental, quanto do escasso acesso à informação eficiente. Nesse sentido, subterfúgios devem ser encontrados para resolução desse impasse.

A priori, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Consoante Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para assegurar a harmonia dos cidadãos. No território nacional, entretanto, o que se encontra é a incompetência do Estado na garantia de fiscalização sanitária nos setores nutritivos; havendo em vista que muitas empresas comercializam substâncias comestíveis contrariando os padrões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um exemplo disso, é o casso ocorrido com a empresa alimentícia JBS, em que produtos impróprios para consumo foram vendidos no Brasil. Logo, nota-se a ineficácia do governo em criar medidas que coíbam esse quadro deletério.

Além disso, é pertinente ressaltar que a insuficiente exposição de informação nos rótulos nutricionais contribui diretamente com a propagação dos maus hábitos alimentares no país. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, muitas companhias do ramo alimentício, motivadas pela obtenção de lucros, acabam por alterar as legendas sobre validade e composição dos produtos. Como as embalagem são usadas para buscar conhecimento, a apresentação errada de tais dados podem gerar diversas situações de enfermidades aos consumidores.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a melhoria no comportamento alimentar brasileiro. Desse modo, o Estado, por meio da atuação dos órgãos competentes, deve promover visitas regulares e sem aviso prévio às indústrias de alimentos, tendo todos os resultados divulgados de forma pública na internet, a fim de aprimorar a qualidade dos produtos comercializados. A mídia, por sua vez, deve atuar na propagação de informação - por meio de cartilhas virtuais e curta-metragens a serem veiculados nas mídias sociais - com o intuito de orientar a população dos riscos da má alimentação. Outras medidas devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.