O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 08/09/2021
No filme “Nacho Libre”, um cozinheiro de um orfanato católico passa a participar de eventos de luta livre para arrecadar dinheiro, a fim de comprar bons ingredientes para as refeições das crianças. Fora da ficção, a segurança alimentar, isto é, a garantia de se alimentar, torna-se um desafio brasileiro crítico para o desenvolvimento do bem-estar da população. Nesse sentido, a atual insegurança alimentar nacional, configurada pela falta de políticas públicas e pelas desigualdades socioeconômicas, merece enfrentamento.
A princípio, é válido entender como a ausência de auxílio estatal em situações de inconstância econômica contribui para a questão. Segundo o pensamento da Escola de Chicago, cabe ao Estado providenciar medidas que garantam um padrão de vida mínimo aos cidadãos, incluindo condições que proporcionem acessibilidade à alimentação. Dessa forma, a falta de políticas públicas direcionadas à manutenção financeira para a alimentação, apesar de descritas como direitos sociais na Constituição de 1988, intensifica o panorama de insegurança alimentar no Brasil, pois condiciona a carência de recursos para a compra de alimentos.
Ademais, vale compreender como as desigualdades socioeconômicas, de raiz histórica no Brasil, influenciam na problemática. De acordo com dados do IBGE de 2018, 13,5 milhões de brasileiros vivem com renda diária inferior a 1,9 dólares. Assim, destaca-se disso o fenômeno histórico da concentração de renda, que existe hoje com resquícios do passado escravagista nacional, e consagra também as disparidades entre as diferentes aquisições alimentícias entre as classes mais altas, que geralmente optam por produtos orgânicos de preço elevado, enquanto pessoas mais humildes consomem alimentos industrializados de poucos benefícios à saúde.
Portanto, medidas são necessárias para a promoção do bem-estar da coletividade. Para tanto, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento garantir o pleno acesso a alimentos saudáveis, por meio do desenvolvimento de políticas públicas que garantam a acessibilidade dos preços, como também a criação de campanhas que auxiliem na distribuição de cestas básicas aos mais necessitados e que incentivem a boa a alimentação. Por fim, tais mudanças buscam democratizar o contentamento alimentício, assim como extinguir a fome no país.