O conceito de família no século XXI
Enviada em 07/11/2025
A série estadunidense “Modern Family” retrata, de modo sensível, diferentes formações familiares, como casais homoafetivos e recasamentos, demonstrando que o afeto - e não o modelo tradicionalmente aceito na sociedade de homem e mulher - é o verdadeiro alicerce da convivência doméstica. De modo análogo, o conceito de família tem sido amplamente debatido, visto que as transformações sociais e culturais do século XXI desafiam paradigmas retrógrados, cuja persistência gera exclusão e preconceito contra arranjos diversos. Portanto, torna-se necessário analisar a persistência de padrões socioculturais excludentes e a insuficiência educacional quanto à valorização da diversidade afetiva no século XXI.
De início, é fulcral a compreensão de que o conceito de família, como qualquer instituição social, é produto das transformações diversas na sociedade. Nessa perspectiva, em sua obra “As Regras do Método Sociológico”, Émile Durkheim defende que as instituições não são entidades fixas, mas construções moldadas pelas necessidades coletivas. Contudo, no século XXI, apesar de refletirem valores baseados no afeto e na igualdade, as novas formações familiares ainda enfrentam a resistência de paradigmas conservadores, o que perpetua o preconceito e dificulta o reconhecimento da pluralidade das relações humanas. Assim, a resistência à modernização dos vínculos familiares contribui para a manutenção de estigmas e limita o avanço social rumo à igualdade.
Ademais, a valorização da diversidade afetiva está intrinsecamente ligada à formação cultural dos indivíduos. Sob essa ótica, convém mencionar a música “Born This Way”, de Lady Gaga, que defende a aceitação das diferenças como elemento constitutivo da identidade humana, reafirmando que todo amor é legítimo. Entretanto, a sociedade contemporânea ainda reproduz estigmas morais e religiosos que deslegitimam famílias não heteronormativas, o que evidencia um déficit educacional e cultural na promoção do respeito às pluralidades.
Logo, é necessária que o Estado, por meio do Ministério da Educação, realize palestras sobre igualdade nas escolas, conscientizando o corpo social sobre o tema. Além disso, a mídia, formadora de opiniões, deve representar a variedade familiar em suas obras, valorizando o afeto como base das relações humanas.