O conceito de família no século XXI
Enviada em 01/06/2018
A sociedade brasileira contemporânea configura-se modificada pelas transformações ocorridas tanto no campo político, social e científico das últimas décadas. Destarte, a inserção feminina no mercado de trabalho ocorrida na metade do século XX, os modernos métodos contraceptivos e a inseminação artificial, além da maior visibilidade das relações homoafetivas atualizaram um conceito pilar a toda sociedade e cultura: o conceito de família. Na contramão, políticos conservadores visam proteger o núcleo familiar tradicional.
É indubitável que a formação histórica da sociedade brasileira tem como elemento base o patriarcalismo existente desde o período colonial. Sendo assim, tanto a figura do senhor de engenho do século XVII quanto a do progenitor nos núcleos familiares mantinham em comum a soberania irrestrita de decisões. Como exemplo, tem-se na relação entre os personagens Capitão Rodrigo e Bibiana, do romance O Continente, de Érico Veríssimo, a banalização do adultério masculino e a designação da figura feminina restrita ao lar e aos filhos. Todavia, a partir da metade do século passado, o empoderamento da mulher, ocasionado pela possibilidade de possuir renda e de controlar seu período fértil, além da maior facilidade do divórcio, ocasionaram a existência de núcleos familiares diferentes dos tradicionais, sem a figura paterna ou somente com os avós e netos.
Outrossim, os avanços científicos possibilitaram uma relação e um planejamento familiar novos para os futuros casais ou pais solteiros. Com a inseminação artificial, uma mulher solteira pode decidir ser mãe através de uma doação oriunda de um banco de sêmen, constituindo família sem necessariamente possuir uma relação estável. De mesmo modo, pode um homem também ser pai ao adotar uma criança nos moldes que regem a constituição e criar uma família. Entretanto, tal possibilidade não é tão facilmente acessível para casais homoafetivos que desejam ter família, muito devido ao preconceito possível que as crianças sofrerão e pelas ações de legisladores que temem o fim da família tradicional, composta por pai, mãe e filhos.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Devido as transformações ocorridas na sociedade brasileira nos últimos anos, devem os meios de comunicação explanarem a realidade de multiplicidade dos núcleos familiares através de reportagens em programas, visando ampliar a percepção da comunidade sobre o assunto. Em segundo plano, deve o governo, através do judiciário, considerar a união estável de casais homoafetivos, possibilitando a adoção por parte do casal. Por fim, deve a educação agir como medida impulsionadora da prática tolerante às diferenças, através do compartilhamento de valores morais, como o respeito.