O conceito de família no século XXI

Enviada em 01/06/2018

Clarice Lispector, importante nome do Modernismo brasileiro, explicita em sua obra “Laços de Família” as diversas composições familiares existentes na sociedade atual e o modo com que se dá o relacionamento entre os membros desses grupos. No entanto, apesar do reconhecimento da heterogeneidade parental ainda na geração de 1945, o conservadorismo segue enraizado na mentalidade da população e o preconceito às representações que fogem do que fora estabelecido como padrão ainda existe, aumentando, dessa forma, o desafio enfrentado pelas famílias em questão. Nesse contexto, destacam-se as famílias formadas por casais homoafetivos que desejam adotar uma criança. Apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a adoção por casais homossexuais, o preconceito que tange essa constituição familiar é grande e o tratamento recebido por esses indivíduos é, muitas vezes, desumano. Prova disso é o caso de Peterson, jovem de quatorze anos de idade, perseguido, agredido e morto em sua escola, na Grande São Paulo, pelo fato de ser filho de um casal do mesmo sexo. Entretanto, esse caso não é o único do país e a violência é expressa não somente pela agressão física; as manifestações verbais são também extremamente nocivas e os efeitos causados por elas podem ser irreversíveis. Em segunda instância, é sabido que a taxa de crescimento populacional do Brasil nunca foi tão baixa quanto a atual, sendo ela inferior a 1%, segundo dados do Banco Mundial. Tal fato demonstra o desinteresse de muitas famílias em ter filhos, quebrando o padrão “pai-mãe-filhos” até mesmo entre casais heterossexuais, que optam por constituir um grupo familiar composto por apenas duas pessoas. Contudo, essa escolha parece desagradar os indivíduos mais tradicionais, que veem a formação familiar “papai, mamãe, titia” expressa na música dos Titãs como a única a ser seguida. Mediante às informações supracitadas, torna-se indubitável a necessidade de estabelecer medidas que alterem o quadro de intolerância vigente. Destarte, cabe às escolas, por serem instituições formadoras de caráter, a apresentação do cidadão ainda em sua juventude à diversidade de famílias existentes por meio de aulas e palestras que visem suscitar o respeito naqueles que são o futuro do país. Ademais, é conveniente que a mídia garanta a representatividade dos grupos familiares de maneira geral nos programas televisivos como novelas e seriados além de propagandas comerciais, para que a visão de anormalidade que cerca essas famílias seja alterada. Quem sabe assim a sociedade caminhe rumo ao modernismo por meio da aceitação dos diversos laços de família existentes.