O conceito de família no século XXI
Enviada em 01/06/2018
Na obra “Memórias de um sargento de milícias”, Manuel Almeida retrata a estrutura familiar do século XX, composta por um pai representante, uma mãe e os seus filhos. Hoje, no século XXI, a modernização no comportamento social refletiu mudanças na composição da família brasileira. No entanto, a intolerância para com essas novas configurações confirma a influência da sociedade patriarcal e dos dogmas religiosos no convívio social.
É notório que a sociedade patriarcal alimenta o desrespeito com os novos conceitos de família, haja vista que as acepções que estão em desacordo com os limites estabelecidos dentro dessa concepção são desprezadas. Nesse contexto, a ascensão do poder de escolhas femininas é questionada, pois muitas mulheres que optam em ser mães solteiras ou em não ter filhos, por darem prioridade às suas carreiras profissionais, acabam sendo, lamentavelmente, julgadas e menosprezadas. Entretanto, muitas pessoas já adotaram essas novas modelações familiares, segundo o IBGE 31% das mães brasileiras são mães solteiras e 14% das mulheres não querem ter filhos.
Outrossim, regras ligadas à religião merecem, também, destaque na análise dessa questão, uma vez que apenas a união entre homens e mulheres é aceita pela igreja como família. Seguindo essa linha, relações homoafetivas não são toleradas nem, em muitos casos, respeitadas, já que, assim como para o físico humanista Albert Einstein, “é mais fácil desintegrar um átomo do que acabar com um preconceito”. Dessa forma, apesar de 20% dos casais de homossexuais declararem ter filhos, de acordo com o Grupo Gay da Bahia (GGB), a violência física, verbal e moral contra esses casais ainda é, apesar dos avanços éticos e morais, preocupante, urgente e extremamente grande.
Portanto, é inegável que houve mudanças sociais extremas e o bom convívio pessoal é um direito de todos. Consoante a isso, para que as pessoas se adaptem e respeitem essa nova configuração, é preciso que o Ministério da Educação crie programas de debates, discussões e palestras, em mídias televisivas, rádios, jornais e redes sociais, sobre a importância de aceitar as mais diversas formas de amor, promovendo assim uma sociedade harmônica. Além disso, é necessário que a própria família e a escola, agindo em parceria, comecem a desfazer essa mentalidade machista e patriarcal que considera apenas a união entre homem e mulher como família, por meio do diálogo e mecanismos didáticos, como gincanas educativas no âmbito escolar, evidenciando a necessidade do respeito às diferentes estruturas sociais.