O conceito de família no século XXI

Enviada em 17/06/2018

“Eu, você, dois filhos e um cachorro”. Esse é um dos possíveis arranjos familiares contemporâneo. Segundo o Censo de 2010, realizado pelo IBGE, (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foram listados 19 laços de parentesco que se formaram no Brasil, contra 11 em 2000, o que evidência a pluralidade da representação das famílias. No entanto, tal diversidade ainda enfrenta grandes desafios quanto a sua aceitação. Nesse sentido, é necessário analisar esse cenário atentando-se sempre aos seus impactos para posteriormente propor mudanças.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que boa parcela da população ainda adota uma postura conservadora diante das mudanças. Em 2015, houve a aprovação da Lei 6583/13 que reconhece a família como sendo o núcleo formado a partir da união de um homem e uma mulher. Entretanto, tal lei promoveu a exclusão de diversas estruturas familiares, como por exemplo, pais e mães solteiros e favoreceu a perpetuação do pensamento patriarcal. Dessa forma, nota-se um desprezo frente aos novos modelos familiares que ainda sofrem constantes mudanças.

Além disso, é válido ressaltar que a continuação desse pensamento colabora para elevar os índices de intolerância e preconceito. Fora a dificuldade da adoção enfrentada pela maioria dos casais homossexuais, outra barreira a ser vencida, sobretudo, pelos filhos adotivos desses casais, é a visão enraizada de família - formada pela união de pessoas heterossexuais. Isso, em um ambiente escolar, pode levar ao bullying e ter sérias consequências. Fato como esse, aconteceu em 2015 quando um adolescente foi agredido por seus colegas na frente de sua escola em São Paulo.

Fica evidente, portanto, que a sociedade brasileira apresenta diversos núcleos familiares e fazem-se necessárias medidas para o seu reconhecimento. Assim sendo, as escolas devem realizar, uma vez no mês, palestras e debates ministrados por professores, alunos e as famílias dos estudantes no qual o assunto principal seja o surgimento de novos modelos com o intuito de levar maior conhecimento para todos e, consequentemente, aumentar a tolerância não só dentro das escolas, mas em qualquer ambiente. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça em parceria com a Polícia Civil a criação de uma ouvidoria pública online para receber denúncias anônimas de casos relacionados à intolerância e em seguida investigá-las e aplicar a devida punição a fim de diminuir tais atitudes e evitar futuras agressões, sejam físicas ou morais.