O conceito de família no século XXI

Enviada em 07/06/2018

Viseiras da Tradicionalidade

Durante o período colonial brasileiro, a formação das famílias era unanimemente marcada pelo patriarcalismo, em que o homem era o comandante dos lares com poder incontestável e suas mulheres cuidavam das atividades domésticas. No atual panorama social brasileiro, pode-se observar vastas mudanças nos formatos familiares, em que o padrão tradicional não é mais tido como único, quebrando paradigmas e incluindo as diferenças. Por outro lado, essas novas formas de família têm sido negligenciadas principalmente pela intolerância ainda enraizada na nação verde e amarela.

Convém ressaltar, a princípio, que o preconceito com casais homossexuais dificultam processos adotivos e, por conseguinte, a formação familiar destes. Isso, em consonância com o pensamento do filósofo Jean Paul Sartre de que a violência é sempre uma derrota, reforça a ideia de que a violência psicológica gerada pelo preconceito afeta negativamente os planos de formação familiar dos casais gays e, consequentemente, a vida das crianças que acabam por não serem adotadas. Desse modo, na medida em que as relações não tradicionais continuarem a serem vistas como “anormais”, as diferenças se perpetuarão.

Em segunda instância, deve-se considerar também os demais modos familiares. Em um passado não tão remoto, as mães solteiras estavam sujeitas a uma série de preconceitos que as faziam serem enxergadas como inferiores às outras mulheres. Hoje, em contrapartida, muitos são os casos de mães solteiras bem sucedidas que cuidam dos filhos e lares com maestria. Contudo, muito ainda deve ser feito para que a aceitação dessas mudanças sejam efetivadas e para que a ideia engessada de “família: Papai, mamãe, titia” fique voltada apenas à letra dos titãs.

Destarte, urge a necessidade de mobilização conjunta escolar e midiática para que os diversos modos de família sejam aceitos e respeitados no Brasil. Assim sendo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), juntamente com todas as escolas, por terem um papel central na sociedade, a criação de uma feira educacional anual, no dia 15 de março (dia da família), que demonstre que as diferenças familiares são comuns e devem ser encaradas com respeito, com o auxílio de psicólogos que entendam do assunto e depoimentos de famílias que vivem essa realidade e encaram dificuldades. Ademais, seria dever dos meios midiáticos a disseminação dessa feira em horários nobres nas redes televisivas e a abordagem da importância da inclusão e aceitação de qualquer tipo de formato familiar. Desse modo, a mudança estaria sendo feita por esse engajamento social, fazendo a sociedade progredir e retirar as viseiras que impedem de enxergar o diferente como normal.