O conceito de família no século XXI

Enviada em 20/06/2018

A obra intitulada “Harry Potter”, de J.K. Rowling, discorre a respeito de um jovem órfão que encontra na convivência com amigos o real sentido de família. Apesar de toda a subjetividade, a trama serve como um gancho para abordar a respeito do núcleo familiar no século XXI a partir do momento em que é corroborada uma dicotomia existente entre modernização e tendências regressistas. Dessa forma, discorrer sobre a temática e seus desdobramentos no âmbito social e político: eis um desafio à contemporaneidade.

É necessário considerar, antes de tudo, as práticas conservadoras acerca da nova instituição familiar brasileira. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é marcada pela efemeridade e fluidez das relações. O conceito de Bauman aplica-se, principalmente, as táticas, que, até mesmo, os governantes da nação brasileira são autores. Tal fato é corroborado ao citar o “Estatuto da Família” - projeto da Câmara dos Deputados -, que legitima apenas a união entre homens e mulheres. Nesse sentido, a sociedade brasileira caminha em sentido retrógrado ao que sua Constituição Federal garante no art. 5º: a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Haja viste que a complacência social ratifica hábitos culturais e intolerantes, uma vez que, mais de 53% da população brasileira concorda com a definição familiar proposta pelo projeto governamental.

Convém analisar, também, as demais estruturas familiares. Mães ou pais solteiros, casais homoafetivos, avós ou avôs que fazem o papel de pais, crianças adotivas ou biológicas constituem alguns dos mais variados exemplos de núcleos familiares. Logo, restringir-se a um tipo de base familiar, ainda mais, no século XXI, torna-se obsoleto. Pois, ao simular o comportamento humano, algoritmos reproduzem preconceitos influenciados por uma ótica dominante que desperdiçam oportunidades de promover a isonomia de direitos. Desse modo, uma sociedade que julga um sentimento hostil como opinião é palco de trágicas histórias, como, por exemplo, a morte do jovem Peterson de Oliveira, de 14 anos, filho adotivo de um casal homoafetivo.

Fica claro, portanto, que fazem-se necessárias resoluções para o pleno exercício da tolerância e igualdade. O Ministério da Justiça deve fiscalizar as leis já existentes, a fim de criar meios eficazes de punição aos casos de intolerância, seja por meio de multas ou trabalhos voluntários voltados para agentes socializadores. Também, é de suma importância que o Ministério da Educação junto com as escolas, como instituição socializadora, promova ações educativas convidando psicólogos ou as próprias famílias para participar de workshops ou conferências e, por fim, criem disciplinas afins para a discussão do tema na intenção de promover respeito e integração na liquidez da Bauman.