O conceito de família no século XXI
Enviada em 11/08/2018
Durante muito tempo, o Estado reconhecia a família como uma instituição constituída exclusivamente pela união de um homem e de uma mulher. Hoje, com as mudanças sociais desencadeadas ao longo dos séculos, sabe-se que esse conceito é ultrapassado. A união homo afetiva, casais que optam por não ter filhos, casais divorciados, crianças criadas pelos avós e até mesmo alguém que viva apenas com seus animais de estimação, provam que a família é, na verdade, construída pelos laços de afeto. Assim, contrariando a tendência do realismo, que destacava a noção do casamento forjado, os vínculos sentimentais se sobressaem aos sanguíneos.
O filósofo Platão, em um dos seus discursos em “A República”, afirmava ter pai e irmãos, porém não uma mãe e, por isso, não tinha família. Certamente, agora, a fala do pensador seria considerada retrógrada e até mesmo preconceituosa. As mudanças sofridas pelo mundo, tanto no campo tecnólogico quanto no campo social, atingiram também a “célula-máter” da sociedade, isto é, a família.
Em primeiro lugar, a entrada de mulheres no mercado de trabalho, principalmente após a Primeira Guerra Mundial e, mais adiante com a invenção das pílulas anticoncepcionais, mudou o estigma de que elas seriam apenas “funcionárias do lar”. Como resultado, a participação efetiva desse grupo nas universidades e na busca por qualificação profissional, alterou significativamente a prioridade em se construir uma família tradicional.
Além disso, sabe-se que criar crianças é um verdadeiro desafio, haja vista que requer tempo e investimento, o que faz muitos casais optarem por não ter filhos. Por outro lado, novos modelos de família surgem e com eles a necessidade de desconstruir aqueles modelos até então sustentados. Por exemplo, casais homo afetivos enfrentam, cada vez mais, o preconceito em processos adotivos para consolidarem a vontade de construírem suas famílias. Segundo o IBGE, estima-se que haja 60 mil casais homossexuais no país, sendo que 75% cogitam a adoção.
Torna-se evidente, portanto, que só porque uma família não segue o modelo tradicional, ela é menos válida. Desse modo, a fim de enfrentar esse impasse, é fundamental que o núcleo escolar, em parceria a psicológos e a psicopedagogos, promova atividades interdisciplinares com os estudantes, seja por meio de palestras ou intervenções culturais, a fim de abordar temas como tolerância e respeito ao diferente e novo, convidando esse público a ser um motor de mudança. Ademais, a mídia aberta, ao ter a população como influente “massa de manobra”, tem papel social relevante a cumprir abordando sobre esse tema em telenovelas ou propagandas, com o intuito de mostrar que novas construções já existem e precisam ser respeitadas, pois não diferem das tradicionais quando em pauta o amor.