O conceito de família no século XXI
Enviada em 31/07/2018
Chegado ao século XXI, novas demandas sociais complexas surgiram, dentre muitas delas está em xeque o conceito de família na contemporaneidade, e isso vem de encontro ao modelo tradicional de família que não consegue dialogar com os novos arranjos sociais fomentadores de outras possibilidades de formação familiar.
O modelo de família tradicional, criado pelo discurso religioso, no qual se faz alusão ao casal do livro de gêneses: Adão e Eva fomenta-se assim, uma mentalidade social heterossexual, fixa, imutável, trazendo uma resistência àqueles indivíduos que não se encaixam neste quadro social pintado e impositivo.
Contrapondo-se a isso, estão os grupos sociais que não dialogam com tal modelo imposto, porque hoje, já se percebe outras formas de pensar o mundo, de repensar a percepção sexual, logo, retroalimentando múltiplas formas de arranjos e rearranjos familiares tais como: duas mães, dois pais, todos esses criando filhos no interior dos lares na sociedade atual.
Ainda convém lembrar que tanto o discurso de família tradicional, quantas outras formas de organização familiar, surgiram de múltiplas formas de subjetividades que influenciam na alteridade entre os indivíduos em sociedade, proporcionando diversas novas formas de amar, se relacionar, fazendo com que novos vínculos sociais se configurem.
Destarte, fica a percepção de que novas ou antigas configurações familiares; todas essas, são consequências de construções discursivas de verdades criadas, por grupos sociais com um forte poder de disseminação de suas ideias, tais como grupos religiosos, políticos e outros. Com isso, é possível inferir a urgente necessidade de conhecer o outro e reconhecer o distinto, ou seja, o diferente , mas como uma forma de enriquecimento da sociedade e fortalecimentos das relações socioafetivas no interior dela, não de exclusão e silenciamentos.