O conceito de família no século XXI

Enviada em 06/08/2018

Para o antropólogo, Lévi- Strauss “A família baseada no casamento monogâmico era considerada instituição digna de louvor e carinho.” Este pensamento representa uma ideologia cujas raízes estão envolvidas no modelo patriarcal. Ainda que os avanços para aceitação de novos arranjos familiares sejam visíveis, notam-se retrocessos sobretudo no âmbito legislativo, como projetos de lei que defendem apenas a família tradicional, denunciando desta forma, os desafios da configuração familiar.

As transformações ocorridas com o início da industrialização, o  advento da urbanização, a abolição da escravatura e a organização da população, provocaram alterações nas feições familiares. Diante disso, a composição do núcleo familiar pode variar em uniões consensuais de parceiros separados ou divorciados, uniões de pessoas do mesmo sexo, pessoas com filhos de outro casamento, mães ou pais sozinhos com seus filhos, e uma infinidade de formas a serem definidas de forma diferente do clássico modelo. Estas novas uniões estão cada vez mais presentes e começam a fazer parte do cotidiano das pessoas, no entanto, não se pode afirmar que são socialmente aceitos, pois o embate entre realidade e ideologia existente, não permitiu sua superação por toda a população.

Segundo o  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a formação clássica deixou de ser maioria no Brasil, representando 49,9%, esta diminuição é resultado de transformações  em decorrência dos avanços sociais, em que a mulher passa a assumir papéis que anteriormente era de exclusividade masculina. Apesar das conquistas da nova era familiar, uma minoria composta por conservadores propõem projetos de lei por meio do Estatuto da família, o qual prevê que apenas um homem e uma mulher podem formar essa instituição. A tentativa de desqualificar e inferiorizar essas conquistas, principalmente relacionada ao grupo LGBT, causaria graves consequências no futuro, como aumento da homofobia, crise da representatividade de gênero, diminuição das taxas de adoção.

Assim, é fundamental que o Governo Federal, em parceria com as escolas,promova palestras com psicólogos nos centros de ensino, para os alunos e as comunidades, evidenciando a pluralidade das estruturas familiares existentes no país, e como estas são centro de amor e cuidado, semelhante a forma tradicional, logo devem ser dignas de respeito. Tal mensagem também deve circular pela mídia, já que essa é formadora de opinião. Além disso, as esferas de poder, devem suscitar medidas que punam qualquer ato de preconceito. Assim, ao abrir as cortinas do mudo plural que vivemos, a sociedade terá consciência desta diversidade.