O conceito de família no século XXI

Enviada em 30/09/2018

No contexto social vigente, a possibilidade de divórcio, a inversão de papéis/valores e o casamento homoafetivo contribuem para formação de novos modelos de família, antes restrita a pai, mãe e filhos. Com isso, surge a problemática do preconceito ao novo conceito de família, que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela  machismo, seja pela lenta mudança de mentalidade social.

É licito referenciar o dramaturgo e jornalista irlandês, George Benard Shaw; segundo o qual, o progresso é impossível sem mudanças e aqueles que não conseguem mudar as suas mentes, não conseguem mudar nada. Logo, a nova organização dessa instituição, a família, é reflexo de novos valores éticos e morais, de mudanças no mercado de trabalho e nos direitos individuais, que em muitos casos se têm sobreposto à tradição social. Entretanto, ainda há na sociedade, pessoas que identificam os novos modelos de família como um pecado mortal, perversão sexual e/ou até mesmo uma aberração. Esses casos são frutos do pensamento machista que domina a sociedade e descende diretamente da influência religiosa em que cresceu a nação.

É elementar que se leve em consideração os avanços legislativo quanto aos direitos individuais. As novas regras, que facilitam o divórcio e o reconhecimento da união estável entre casais homossexuais, contribuíram decisivamente para os novos modelos de família. Tal realidade, revela um crescente número de famílias em que um faz papel de dois, como por exemplo: pai ou mãe solteiro (a), casais homossexuais adotando crianças ou até mesmo optando pela inseminação artificial. Observa-se, portanto, que a ciência, também, contribui para mudanças nos paradigmas familiares.  Assim, a ideia de que ‘‘até que a morte separe’’ se torna coisa do passado e duas pessoas do mesmo sexo podem, sim, construir uma família.

Nesse âmbito, pode-se analisar que o conceito de família mudou e a sociedade deve reconhecê-lo e respeita-lo. Sendo assim, a escola, instituição de valores, junto às ONGs, deve promover palestras a pais e alunos para que discutam sobre os novos modelos de família de maneira clara e eficaz, a fim de quebrar estereótipos, preconceitos e instruir acerca da diversidade. Ademais, urge que a mídia, por meio de novelas e seriados, transmita e propague a diversidade dos modelos de família, com propósito de elucidar e desmitificar receios populacionais. Outras medidas devem ser tomadas, mas como disse Oscar Wilde: ‘‘O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação’’.