O conceito de família no século XXI

Enviada em 28/09/2018

Segundo a Declaração Universal do Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário, todo ser humano tem direito à família e à vida digna. No entanto, tal direito pode estar sendo ameaçado quando uma parcela da população discorda dos novos formatos familiares presentes no Brasil do século XXI. Logo, com vistas a assegurar e a oferecer uma vida livre de julgamentos a todos, a coletividade e o poder públicos devem se perguntar acerca do seu papel no enfrentamento dessa demanda social.

Deve-se pontuar, de início, que os novos conceitos familiares encontra barreiras no que tange a aceitação e ao respeito de toda a população. Isso porque, o sistema patriarcal do passado ainda encontra raízes no presente, visto que no inconsciente de muitos brasileiros, família é sinônimo de, apenas, pai, mãe e filhos. Esse pensamento retrógrado, ocasiona, todos os dias, preconceitos na ruas do país, onde de um lado se encontra a, apelidada ironicamente, “família tradicional brasileira” e do outro homossexuais, mães solos, avós entre outros, que só querem viver com quem se ama e não ser julgado por isso. Assim, consoante ao pensamento do sociólogo Durkheim, em que há uma maneira coletiva de agir e pensar que se transmite de geração para geração, o fato social, é determinante que as mídias sociais, cumpram seu papel social em relação a desconstruir toda uma gama de pensamentos que não agregam ao atual modo de vida do país.

Vale ressaltar, que o Estado, principal órgão de proteção e provedor de uma vida digna é marcado pelo descaso aos novos formatos familiares. Fato comprovado pela presença de uma frente parlamentar conservadora, que se utiliza de convicções religiosas, contrariando a Constituição de que o Estado deve ser Laico, influenciando situações, especialmente na defesa do modo de família patriarcal citado anteriormente. Dessa maneira, nota-se que boa parcela da sociedade não é contemplada pelo Estado e tem por ele mesmo, sendo excluída, dado que não se encaixam no modelo proposto.

Urge, portanto, que as escolas, promovam palestras e oficinas lúdicas sobre o tema com sociólogos e psicólogos, visando estimular o respeito e desconstruindo velhos estereótipos. Aliado a isso, as emissoras de TV aberta do país, devem, com propósitos educativos bem definidos, inserir nas suas novelas, as novas configurações familiares, aproveitando-se do fato de que todos os núcleos sociais discutem as temáticas pautadas por essas produções. Por fim, os órgãos competentes que ocupam a posição mais alta na hierarquia judicial deve assegurar, resguardado pelas leis, os direitos igualitários as novas famílias, bem como barrando toda e qualquer projeto de lei ou decisão que venha ferir o direito a escolha do estilo de vida de cada cidadão. Desse modo, observada uma ação conjunta dos dois atores sociais, o país estará fazendo jus ao compromisso firmado em 10 de dezembro de 1948.