O conceito de família no século XXI
Enviada em 09/08/2018
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico onde o mau funcionamento de uma das partes provoca um colapso total. Paralelamente a isso, as pessoas conservadoras condenam novos moldes de família que fogem da tradição, pai, mãe e filhos, contribuindo para o preconceito. Portanto, é necessário que haja uma reeducação social, incluindo as uniões atuais, estabelecendo o respeito como alicerce principal, visto que esse problema seja atual, conquanto tenha arraigados fatos históricos com consequências pautadas no socioculturalismo.
Em primeira análise, historicamente inferindo, com a oficialização do Cristianismo no Império Romano, os antigos judeus perseguiam os homossexuais e a homossexualidade era vista como ameaça institucional. Não só no passado, como também na contemporaneidade, os homossexuais ainda sofrem preconceitos como a questão das uniões homoafetivas não serem reconhecidas como entidade familiar. De fato, no Brasil, por exemplo, em 2015 foi aprovada uma proposta que reconhece como família somente a união entre homens e mulheres através do casamento ou união estável. Com isso, o Conselho dos Direitos humanos do Distrito Federal acionou a Procuradoria Geral da República para que o órgão adotasse medidas contra o projeto de Lei que cria o Estatuto da Família considerando-o indiscriminatório e inconstitucional pois exclui casais LGBT’s do conceito de família.
Ademais, o sociólogo Zygmunt Bauman conceitua a atual era como a era da modernidade líquida. Caracterizada pela fluidez das relações interpessoais em que o ser humano torna-se cada vez mais insensível com o outro, não respeitando as diferenças. Além disso, o dicionário Houaiss adotou uma nova definição de família definindo-a como o núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos que costumam compartilhar o mesmo espaço estabelecendo uma relação solidária entre si. No entanto, uniões entre pai e filho, mãe e filhos, por exemplo, não são reconhecidas por muitas pessoas como família. Com isso, padroniza-se cada vez mais a sociedade em moldes tradicionais ainda vigentes gerando uma intolerância com as diferenças enraizada na cultura.
Destarte, é necessário que haja uma reeducação social para que as pessoas possam aceitar as uniões que fogem à tradição como família. Para isso, as escolas devem apresentar aos alunos os diferentes tipos de uniões que existem demonstrando-lhes essa realidade. Agindo por meio de profissionais que os ensinem a conviver e a respeitar as diferentes constituições familiares. Além disso, as autoridades dos países, como as do Brasil, por exemplo, que só reconhecem como família a união entre homens e mulheres, devem institucionalizar as uniões afetivas que compartilham do mesmo espaço como família tornando esse direito reconhecido legalmente e igualitário para todos.