O conceito de família no século XXI

Enviada em 10/08/2018

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico em que o mau funcionamento de uma das partes provoca um colapso total. Paralelamente a isso, as pessoas conservadoras condenam novos modelos de família que fogem da tradição, pai mãe e filhos, contribuindo para o preconceito. Portanto, é necessário que haja uma reeducação social, incluindo as uniões atuais, estabelecendo o respeito como alicerce principal, visto que esse problema seja atual conquanto tenha arraigados fatos históricos com consequências pautadas no socioculturalismo.

Em primeira análise, historicamente inferindo, com a oficialização do Cristianismo no Império Romano, os antigos judeus perseguiam os homossexuais e a homossexualidade era vista como ameaça institucional.  Não só no passado, como também na contemporaneidade, os homossexuais ainda sofrem preconceitos, de modo que as uniões homoafetivas não são reconhecidas como entidade familiar. De fato, no Brasil, por exemplo, em 2015 foi aprovada uma proposta que reconhece como família somente a união entre homens e mulheres através do casamento ou união estável. Com isso, o Conselho dos Direitos Humanos do Distrito Federal acionou a Procuradoria Geral da República para que o órgão adotasse medidas contra o projeto de Lei que cria o Estatuto da Família considerando-o indiscriminatório e inconstitucional pois exclui casais LGBT’s do conceito de família.

Ademais, o sociólogo Zygmunt Bauman conceitua a atual era como a era da modernidade líquida. Caracterizada pela fluidez das relações interpessoais em que o ser humano torna-se cada vez mais insensível com o outro, não respeitando as diferenças. Além disso, o dicionário Houaiss adotou uma nova definição de família definindo-a como o núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos que costumam compartilhar o mesmo espaço, estabelecendo uma relação solidária entre si. No entanto, uniões entre pai e filho, mãe e filhos, por exemplo, não são reconhecidas por muitas pessoas como família. Com isso, padroniza-se cada vez mais a sociedade em moldes tradicionais, ainda vigentes, gerando uma intolerância com as diferenças enraizada na cultura.

Destarte, é necessário que haja uma reeducação social para que as pessoas possam aceitar as uniões que fogem à tradição como família. Para isso, as escolas devem apresentar aos alunos os diferentes tipos de relacionamentos que existem demonstrando-lhes essa realidade. Agindo por meio de profissionais que os ensinem a conviver e a respeitar as diferentes constituições familiares. Além disso, as autoridades dos países, que só reconhecem como família a união entre homens e mulheres, devem institucionalizar, por meio de uma lei, as uniões afetivas que compartilham do mesmo espaço como família. Dessa forma, tornarão esse direito reconhecido legalmente e igualitário para todos.