O conceito de família no século XXI

Enviada em 23/08/2018

“Família, família, papai, mamãe, titia.” O verso da banda titãs, exprime a ideia da concepção habitual e padronizada da família aceita pela sociedade no decorrer dos séculos. Analisando esse conceito atrelado à conjuntura atual, no Brasil, o Estatuto da Família definiu que apenas as uniões formadas por um homem e uma mulher serão consideradas famílias. Porém, nos últimos anos, ocorreram mudanças na padronização familiar, causando impactos aos considerados tradicionais e conservadores. Nesse contexto, convém analisarmos as principais causas, consequências e soluções para esse impasse.

Não obstante, hodiernamente, nota-se que a sociedade baseia-se em uma conduta extremamente preconceituosa, em que o homem deve relacionar-se unicamente com o sexo oposto para não fugir das condições de normalidade, assim, formando organizações familiares dentro dos padrões impostos. No entanto, com as uniões homo afetivas, novos modelos sociais surgiram, haja vista que mais de 30% das famílias existentes são formadas por gays, segundo o IBGE. Mas, elas vivem constantemente com a exclusão social e o preconceito no contingente demográfico, rompendo com o princípio da isonomia declarado na Constituição de 1988, em que todos devem ser tratados igualmente.

Outrossim, o sociólogo Zygmunt Bauman, defende em sua obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós modernidade e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar as diferenças. Esse problema assume contornos específicos no Brasil, no qual apesar dos novos paradigmas sociais, há quem possua uma postura intolerante e discriminante em relação as famílias compostas pela união de duas mulheres e mulheres independentes que são mães solteiras, proporcionando obstáculos nas relações interpessoais de amor, felicidade e carinho entre elas e seus filhos. Nesse ínterim, um caminho possível para combater essa intolerância é desconstruir o individualismo proposto por Bauman.

Destarte, entende-se que a questão do conceito de família carece ser solucionada. É mister, portanto, que o Poder Legislativo intensifique e consolide medidas já vigentes, de modo a serem mais rígidas com os indivíduos que desrespeitem esses gêneros familiares. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Educação proporcione nas escolas palestras e debates, a fim de propor um maior conhecimento para os jovens sobre os novos padrões familiares existentes na sociedade, tendo em vista formar cidadãos tolerantes e sábios. Ademais, cabe também a mídia, por meio de propagandas e telejornais, incentivar a inclusão e a aceitação dessas famílias no meio social, de forma que esses indivíduos possam viver felizes. Por fim, a teoria individualista de Bauman será corrompida e o código penal brasileiro consolidado, de maneira a assegurar uma sociedade ética e harmoniosa para todos.