O conceito de família no século XXI

Enviada em 04/09/2018

A redefinição do verbete “família”, em 2016, pelos organizadores do dicionário Houaiss aqueceu ainda mais não só as discussões sobre esse conceito no século XXI, como também as manifestações de desrespeito à pessoa humana pela não aceitação por muitos brasileiros dos novos modelos familiares. Todavia, sabe-se que esse problema não vai além da intolerância de grande parte da população com relação às mudanças e às diferenças de cada um.

A priori, falta a muitos a ciência e a aquiescência sobre a efemeridade das coisas. Sem dúvida, o poema “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” foi uma obra pela qual o escritor Camões, percebendo a necessidade de esclarecer as pessoas sobre a instabilidade de tudo, expressou sua percepção sobre essas alterações que acontecem e que são naturais. Estas, não excluem, evidentemente, as palavras e as estruturas familiares.

Outrossim, a compreensão de que o bem estar está acima de qualquer diferença entre os estilos de vida de cada indivíduo ainda é rara no país. Por certo, a animação “Shrek” pode ser referenciada ao se tratar disso, uma vez que o personagem “Burro”, ao construir uma família feliz com um dragão, deixou uma mensagem sobre diversidade e anterioridade do afeto nas relações na qual muitos enxergaram incoerência. Dessa forma, tem-se clara a existência de um sentimento de estranheza à pluralidade das interações.

Logo, vê-se a necessidade da busca de entendimento por todos sobre as mudanças e as diferenças possíveis nas estruturações familiares. Nesse sentido, é interessante que a discussão acalorada pela equipe do dicionário Houaiss promova a mobilização das pessoas rumo à autoconscientização acerca do assunto, o que deve se efetivar através do exercício da empatia, de forma que, progressivamente, tenhamos mentes mais tolerantes no país. Assim, será possível a construção de uma nação melhor para se viver.