O conceito de família no século XXI

Enviada em 27/09/2018

Durante 2016, um dos principais dicionários da língua portuguesa, o Houaiss, reavaliou uma de suas definições: o conceito de família. Atualmente, após a mudança, o que antes representava apenas as relações sanguíneas e o casais heterossexuais, agora, engloba uma ampla diversidade de grupos. Entretanto, na sociedade brasileira o modelo arcaico ainda prevalece como o certo e, infelizmente, impulsiona inúmeras formas de preconceito. Entende-se, então, que, apesar de ter havido uma mudança formal no conceito de família, socialmente o preconceito em relação a essa pluralidade ainda é um problema alarmante.

A princípio, é necessário analisar, antes de tudo, o papel subjetivo da coletividade. Segundo o sociólogo Durkheim, a consciência coletiva é capaz de coagir os indivíduos a agirem de acordo com um padrão prevalecente. Seguindo tal pensamento, famílias que destoam do modelo esperado, os casais homoafetivos, por exemplo, são completamente criticadas pela sociedade e vistas como erradas. A partir disso, é possível observar a importância de representações como as personagens Callie e Arizona, da série “Grey’s Anatomy”, que, ao terem um filha, quebram esse padrão e mostram que o diferente também é bonito. Em suma, as principais características de uma família, como o amor e o respeito, são colocadas em segundo plano em detrimento de modelos obsoletos e desnecessários.

Ademais, a questão de gênero também se faz muito presente em tal problemática. No documentário “Mães solteiras”, o jornalista Ulisses Rocha evidencia a enorme quantidade de famílias brasileiras compostas apenas pela figura materna. Contudo, mesmo sendo maioria, essas mulheres, que batalham sozinhas para sustentarem suas famílias, ainda são duramente julgadas por não terem uma figura masculina ao lado, enquanto que pais solteiros são diariamente exaltados e considerados heróis. Dessa forma, ao inferiorizar a capacidade e a luta feminina, a população contribui para um estagnação, ou até mesmo um retrocesso, social e político de todo o país.

Entende-se, portanto, que discutir o conceito de família é uma enorme necessidade social. Torna-se necessário que o Ministério da Educação introduza nas escolas debates relacionados a esse assunto, pois por meio das crianças e dos jovens que esse triste quadro poderá ser mudado, visto que a atual geração de adultos já encontra-se tomada pelo preconceito. Isso pode ser feito de forma didática e inclusiva por meio de filmes, livros e palestras, para que esse mal que afeta e desdenha de inúmeras famílias suma de vez da sociedade.