O conceito de família no século XXI

Enviada em 06/09/2018

A configuração familiar padronizada e constituída por pai, mãe e filhos foi muito difundida desde os primórdios da Antiguidade e da época feudal. No entanto, com a modernização e evolução da sociedade, os conceitos retrógrados dificultam a existência do meio social familiar. Nesse contexto, com enfoque no Brasil, se torna necessário fazer uma análise sobre o real conceito de família no século XXI.

As mudanças trazidas pela vida moderna certamente refletem na origem de cada indivíduo: a família. Com o advento da inserção das mulheres ao mundo de trabalho, a independência financeira feminina bem como a redução das taxas de fecundidade e natalidade, esses fatos mudaram a estrutura social e o núcleo familiar deixou de se constituir apenas como tradicional e padrão. Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as famílias do Brasil, hoje, são compostas por arranjos variados que constituem 58% da população e contrastam com apenas 42% de famílias do modelo tradicional. Dessa forma, medidas são válidas para que essas novas famílias possuam atenção.

Por outro lado, apesar de os novos modelos familiares estarem aos poucos conquistando atenção na sociedade existe um fator principal o qual torna negado o direito a liberdade individual de cada cidadão. Esse fator  se constitui ao preconceito enraizado na população que, oriundo do passado histórico brasileiro extremamente patriarcal, apesar de se constituir uma minoria, impede direitos àqueles cidadãos que estão fora do padrão familiar aceito. A exemplo dessa realidade, o Estatuto da Família, documento o qual define legalmente e descritivamente as pessoas que constituem um núcleo familiar, possui em seu texto uma definição que não condiz com a realidade da maioria das famílias brasileiras e, infelizmente, restringe também vários direitos civis aos núcleos familiares fora do “padrão” aceito.

O conceito de família no século XXI, portanto, não se constitui apenas como um único modelo padronizado ao longo da História mundial. Nesse sentido, para diminuir o preconceito às diferentes configurações de família, o Governo deve, em parceria com a mídia, investir em campanhas televisivas de modo que informe à população, com dados do IBGE, a real composição das famílias do país com a finalidade de promover a tolerância e o amor para com as diferenças existentes. Por fim, quanto à representação legal por meio do Estatuto da Família, o poder Legislativo deve legalizar, em conjunto com o poder Executivo e por meio de abaixo-assinados da própria população, todos os modelos de famílias com plenos direitos assegurados em lei de maneira idêntica aos direitos do modelo de família tradicional. Assim, a frase proferida por Sófocles, “quem é bom membro de uma família é também um bom cidadão” será o exímio retrato de todas as pessoas desse país continental tão diversificado.