O conceito de família no século XXI
Enviada em 28/09/2018
“O novo sempre despertou perplexidade e resistência”. Com essas palavras, o pai da psicanálise, Sigmund Freud, certamente ilustraria a situação vivenciada pelas novas composições familiares. Estas lidam com a intolerância e o conservadorismo de considerável parte da sociedade. Por isso, torna-se notável a discussão sobre os novos modelos familiares, para que problemas como o preconceito possam ser superados.
Apesar de todas as novas organizações familiares, o conservadorismo ainda é latente na sociedade contemporânea. Por trás de discursos como: “Respeito, mas não acho normal”, perpetua-se o preconceito. Essa visão engessada do modelo familiar tradicional, que é apresentado constantemente em comercias nas mídias sociais, corrobora ainda mais, com o aumento da intolerância com famílias que fujam dessa configuração exposta como correta. Com isso, casos como o que ocorreu no estado de São Paulo, no ano de 2014, aonde um adolescente de 14 anos foi agredido brutalmente, por colegas de escola, o que levou a seu óbito; o motivo de tal impetuosidade foi pelo fato de o jovem ter pais gays, são recorrentes no país.
Outrossim, vale ressaltar ainda que, cada vez mais, mulheres solteiras compõe a organização familiar como ‘chefes’ de lares. Segundo informações da pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o número de lares chefiados por mulheres passou de 23% para 40% entre os anos de 1995 e 2015. Isso mostra que, com o passar dos anos, cada vez mais aumenta a diversidade familiar no país, por isso é de suma importância discutir essas transformações, para que uma sociedade conservadora como ainda é a brasileira, saiba respeitar e aceitar, de forma pacífica, essas mudanças.
Urge, portanto, a problemática a ser resolvida: a intolerância com os novos modelos familiares no país, que necessita de medidas eficientes, para que o conceito de família apresentado no século XXI seja mais bem aceito e respeitado por toda a sociedade. Assim, é preciso que o Ministério da Educação, desenvolva em escolas, programas voltados para debates acerca do assunto, com a participação de psicólogos, para que se desperte no jovem um senso crítico, reflexivo e tolerante, fazendo com que esses comecem desde cedo a respeitar as diferenças existentes. O Governo Federal deve assegurar que quaisquer casos de intolerância serão devidamente punidos, com a criação de uma lei que criminalize esse tipo de atitude, para que as famílias sintam-se mais seguras e os agressores se conscientizem do quão errado é seu ato. Com isso, a sociedade será moldada de forma a aceitar o novo, respeitando-o em sua totalidade.