O conceito de família no século XXI
Enviada em 29/09/2018
O Estatuto da Família, de 2015, diz que só pode ser considerado núcleo familiar aquele composto por um casal heterossexual e seus filhos. Dessa forma, ele não reconhece a evolução do conceito de família - que inclui casais homossexuais e pais solteiros -, representando, portanto, um retrocesso que precisa ser combatido. Diante disso, os tornam-se passíveis de discussão os principais fatores relacionados à problemática, destacando, principalmente, a homofobia e o patriarcalismo.
O preconceito que circunda as relações homoafetivas influencia diretamente na dificuldade de aceitação do novo conceito de família. Desde a Idade Média, casamentos arranjados eram realizados entre homens e mulheres, o que a longo prazo levou a sociedade a acreditar que uma família precisava, imprescindivelmente, dessas duas figuras para ser considerada legítima. É a exemplificação da Teoria de Habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, que afirma que a sociedade incorpora práticas frequentes e as naturaliza. Dessa forma, milhões de casais homossexuais têm suas famílias negligenciadas, evidenciando uma negação à diversidade.
Além disso, o pensamento patriarcal – de que é necessária uma figura masculina no núcleo familiar – agrava a situação. Ao longo da História, era comum que o sobrenome do pai fosse passado aos herdeiros, e não o da mãe, fato que comprova o homem como protagonista da família nas visões conservadoras. Assim, muitas mães solteiras enfrentam diariamente o julgamento dessas pessoas tradicionalistas, ouvindo constantemente que sua família ‘’não é a ideal’’, como retratado no documentário ‘’Mães Solteiras’’, que mostra a luta enfrentada por mulheres com famílias consideradas fora do padrão.
Dessarte, a problemática precisa ser resolvida. Cabe ao Ministério da Educação incorporar, por meio de preleções e debates, o tópico diversidade dos núcleos familiares na grade curricular, a fim de criar cidadãos mais instruídos e menos excludentes e, assim, permitir que a diversidade seja compreendida e celebrada. Ademais, cabe à mídia valorizar a representatividade, por intermédio de propagandas, por exemplo, que mostrem pais solteiros e de quaisquer orientações sexuais como sendo, também, uma representação de família. Dessa maneira, o paradigma de que família só é composta por homem e mulher será quebrado e a sociedade prosperará.