O conceito de família no século XXI

Enviada em 20/10/2018

Amor multiforme

A noção de família no Brasil colonial assumiu diferentes modalidades, mesmo sendo o patriarcalismo uma das suas características centrais. Existiam pequenas famílias de solteiros e viúvos, além de mães e filhos vivendo sem pais. De maneira análoga, observa-se que existe um rearranjo na configuração familiar atual,com o surgimento de uniões afetivas que se desviam do padrão culturalmente aceito. Nes-se sentido, ainda existem barreiras que impedem o respeito mútuo à pluralidade amorosa.

Claramente, a diversidade de padrões familiares encontrados em diferentes sociedades, tal como as  transformações ao longo do tempo, demonstram o caráter dinâmico e histórico desse conceito. A partir dessa assertiva, sabe-se que inserção da mulher no mercado de trabalho, bem como a invenção da pílula anticoncepcional, trouxe autonomia para as mulheres se libertarem dos padrões socialmente impostos. Nesse âmbito, a possibilidade de um planejamento familiar feminino reconfigurou as bases da entidade patriarcal, a qual imperava até meados do século XX. Por conseguinte, esse cenário desencadeou o surgimento de formas múltiplas familiares: duas mães, dois pais, avós e netos, enteados,  filhos adotivos. O filme “Lilo e Stich”, por exemplo, corrobora a ideia defendida, posto que Nani tornou-se responsável pela criação da irmã mais nova após a morte dos pais.

Ademais, nas últimos décadas, o aumento da tolerância às diversidades e a conquista de direitos como a adoção por casais homossexuais, impulsionaram o aparecimento de famílias que fogem aos antigos padrões. Contudo, o preconceito permanece intrínseco no ideário de muitos indivíduos tradicionalistas. Desse modo, alinhado a ideias conservadores, o Estatuto da Família (projeto de lei circulante na Câmara de Deputados), promete reconhecer tal núcleo como fruto de união somente entre um homem e uma mulher, o que exclui mães e pais solteiros, casais LGBT’s e demais modelos não convencionais. Logo, sabe-se que Por trás do famoso discurso “respeito, mas não acho normal”, perpetua-se o preconceito.

Portanto, fica claro que a rejeição a essas novas organizações afetivas deve ser desfeita, visto que representa um obstáculo na luta pela pluralidade familiar. Assim, cabe à escola, como instituição socializadora, promover palestras buscando naturalizar as novas faces familiares, promovendo o respeito e a alteridade por meio da implantação do “dia da família” no currículo do Ensino Fundamental. Posteriormente, é necessário que o Estado promova uma alteração na legislação vigente, abrangendo o conceito de família a todas as formas de união e expressão do amor coletivo, a fim de garantir o princípio da isonomia e assegurar que esses grupos sejam acolhidos de forma legal.