O conceito de família no século XXI
Enviada em 29/09/2018
Pais solteiros, famílias sem pai ou mãe, avós e netos, casais homo afetivos são alguns exemplos de novas configurações familiares. Nesse contexto, tais arranjos apresentam-se em ascensão no território brasileiro, devido principalmente, pela conquista de direitos. No entanto, ao passo são beneficiados, também convivem com o empecilho do preconceito e não aceitação, em especial pelos religiosos e patriarcalistas.
Inicialmente, a concepção de família que historicamente foi sendo construída é fruto da trajetória de sua existência na sociedade. Isto é, o filósofo Lévi-Strauss, afirma que é, de acordo com o contexto social, em cada sociedade e em cada época histórica, que a vida doméstica passa a assumir determinadas formas específicas. Um exemplo disso é que na Idade Média, o conceito de família passa pela forte determinação e influência da Igreja, com o Cristianismo sendo reconhecido como religião oficial de praticamente todos os povos ditos civilizados. Esta não se opunha diretamente a outras formas de constituição da família que não o casamento, entre homem e mulher. De fato, atualmente no Brasil, tal dogma ainda se faz presente, ou seja, as novas configurações familiares sofrem rejeição advindo de concepções tradicionais e religiosas, como a bancada conservadora no congresso. A exemplo, a preconceituosa proposta de lei do estatuto da família.
Entretanto, ao passo que o preconceito instaura-se, também há avanços. No século XX, simultaneamente ao distanciamento do Estado em relação à Igreja, novos fenômenos surgiram, a liberação dos costumes, a revolução feminina, fruto do movimento feminista e do aparecimento dos métodos contraceptivos, e a evolução da genética, que possibilitou novas formas de reprodução, foram fatores que contribuíram para redimensionar o conceito de família. Isto é, por meio de lutas, desde 2011 casais gays tem assegurados seus direitos pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, que reconheceu a união estável de casais do mesmo sexo como uma família. Assim como, segundo o G1, o Brasil cerca de um milhão de famílias são compostas por mães solteiras.
Destarte, no Brasil nota-se que novos arranjos familiares caracterizam-se por ser um movimento em ascensão e ora garantem direitos, ora enfrentam dificuldades de aceitação cabido às influencias patriarcais. Dessa forma, é preciso que o Ministério da Educação e as escolas, por meio de palestras e atividades lúdicas promovam o ensino ao respeito e a diminuição das desigualdades, bem como a ampliação da convivência com os novos arranjos. Mas também, a mídia através de novelas e propagandas devem propagar o conhecimento a aceitação e também fornecer visibilidade a tais famílias, afim de haver a diminuição de conflitos e a instauração de uma sociedade justa no Brasil.