O conceito de família no século XXI
Enviada em 03/10/2018
Luz à família democrática
Um dos legados mais significativos deixados pelo Iluminismo — movimento social revolucionário do século XVIII — foi a idealização de um futuro ao qual a liberdade de expressão e a autonomia intelectual seriam pilares concretizados. Entretanto, a discussão na modernidade, no que tange ao conceito de família, polariza pontos de vistas, abala a democracia e opõe-se às premissas propostas no século das luzes. Urge, portanto, inquirir à problemática em consonância ao cenário e agentes sociais envolvidos.
Sob esse viés, é consistente frisar que a inserção e a aceitação dos novos modelos de união familiar, no mundo contemporâneo, apresenta cunho antagônico: ora pelo conceito de isonomia previsto em constituições democráticas, como a brasileira, ora pela disseminação de repúdio à composição de novos lares. Prova disso é a criação de um projeto judicial, que reconhece o conceito de família apenas sob a perspectiva da construção de um núcleo social composto por um homem e uma mulher — o Estatuto da Família. Diante disso, evidencia-se que a adoção de tal política reforça a exclusão de novas estruturas familiares e contrasta-se ao contexto de igualdade previsto pela Carta Magna.
Outrossim, convém ainda analisar que o preconceito e a intolerância, não apenas frente aos homoafetivos, mas também aos pais solteiros e casais poliamorosos, também deve-se à desinformação acerca dos benefícios causados pela ação dos novos conceitos parentescos. Isso se evidencia pela crescente variável no tocante à adoção de crianças em abrigos e orfanatos, por parte de famílias não caracterizadas pela figura de um paterna e materna. Em suma, tais fatos supracitados podem ser explicados pela ‘‘Teoria da Modernidade Líquida’’ do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que expõe o aumento do sentimento de individualismo e a falta de empatia na pós-modernidade.
Em síntese, indubitavelmente, faz-se necessário a formação de novas condutas que visem a atenuar o preconceito que impede a participação dos novos conceitos de família na atualidade e expandir ideais que tendam à disseminação do respeito à diversidade. Dessa forma, o Ministério de Educação deve, desde os primeiros anos escolares, implantar medidas socioeducativas, como a ampliação de estudos sociológicos, que tendam formar cidadãos mais transigentes. À mídia, por sua vez, como grande poder de influência, compete promover a acentuação de campanhas midiáticas, que demonstrem a participação dos diversos modelos de família, a fim de ampliar valores comunitários e construir indivíduos mais respeitosos. Logo, seguindo tal iniciativa, atenuaria a exclusão aos diversos projetos familiares, seria cumprido legados democráticos e materializaria-se um ideal iluminista.