O conceito de família no século XXI

Enviada em 03/10/2018

A série norte-americana “Modern Family” aborda o cotidiano de diversas composições familiares, mostrando como o convívio com cada núcleo pode contribuir para troca de experiências. Ainda que tal realidade seja comum na vida dos brasileiros, muitos ainda apresentam dificuldade em lidar com o diferente do tradicional. Logo, notam-se desafios nesse atual cenário, seja pela falta de reconhecimento dos novos modelos familiares, seja pela visão patriarcal prevalecente na sociedade brasileira.

Em primeira análise, a inserção das mulheres no mercado de trabalho, o aumento do número de divórcios e o direito à adoção dado aos homossexuais contribuíram para pluralizar as formações familiares. Apesar desse crescimento, as famílias que fogem do tradicional, como casais homoafetivos, adeptos do poliamor, mães e pais solteiros, ainda enfrentam o preconceito da sociedade e, consequentemente, a dificuldade no reconhecimento dos seus direitos. Dessa forma, torna-se necessário assegurar a validade dessas novas composições, estimulando o exercício da tolerância e do respeito.

Além das barreiras na aceitação das famílias modernas, há também o patriarcalismo presente no Brasil. Salienta-se que a tentativa de aprovar o Estatuto da Família, projeto esse que caracteriza como família apenas os núcleos formados pela união de um homem e uma mulher, mostra o quanto a intolerância e a visão arcaica está enraizada na sociedade e como isto pode vir a prejudicar as famílias não-tradicionais. Desse modo, convém impedir tal desrespeito legislativo para evitar os impactos negativos no funcionamento dos direitos humanos trazidos por esse projeto de lei.

Destarte, é essencial que o Ministério da Educação, em parceria com as mídias televisivas e com o Ministério dos Direitos Humanos, veicule campanhas socioeducativas para toda a sociedade, em horários de grande audiência, acerca das novas composições familiares no intuito de reconhecê-las e para serem aceitas por todos. Aliado a isso, o Legislativo deve refutar o atual Estatuto da Família e fazer mudanças no  seu conceito, inserindo as famílias não-tradicionais, a fim de desestimular o preconceito e o patriarcalismo. Assim, o Brasil poderá superar os desafios dessa problemática.