O conceito de família no século XXI
Enviada em 25/10/2018
“Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. Tomando como base a letra da música do compositor Belchior, é possível perceber que, apesar das mudanças corridas na sociedade com o passar dos anos, boa parte da população não tem acompanhado-as, perpetuando pensamentos que hoje geram muitos preconceitos. Isso pode ser notado com relação ao conceito de família na atualidade, onde os modelos que fogem do tradicionalismo vigente na antiguidade têm encontrado dificuldade de serem aceitos. Diante disso, uma discussão em torno desse tema faz-se necessária.
Primeiramente, deve-se ressaltar a criação de leis que têm dificultado a igualdade entre os grupos. O Estatuto da Família, aprovado em 2015 e que se encontra em votação na Câmara, define como família o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher. No entanto, esse modelo foge da realidade encontrada em meio à população, onde muitas são constituídas por mães ou pais solteiros, avós e netos, tios e sobrinhos, entre outros tipos. Por consequência, a aprovação de projetos como o supracitado causam a exclusão dos indivíduos que não se adéquam e aumentam o preconceito para com eles.
Ademais, o número de casais homossexuais e o seu direito à adoção têm se elevado. O Conselho Nacional de Justiça, em 2013, garantiu o direito desses casais se casarem em cartórios e, com isso, aumentou o número de adoções por casais gays, que passaram a também representar o modelo de família atual. Porém, o preconceito e o pensamento patriarcal enraizados na cultura do país não têm permitido que eles tenham esse reconhecimento, o que pode gerar uma dificuldade de inserção das crianças adotadas por eles no convívio social, prejudicando todo o seu desenvolvimento.
Diante disso, medidas devem ser adotadas para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação instituir a obrigatoriedade da discussão desse tema nas escolas, tanto com alunos, quanto com os pais, para que esses também venham fazer um trabalho de desconstrução de visões excludentes e preconceituosas, visando acabar com esses pensamentos e as consequências negativas decorrentes deles. Também, a mídia -no seu papel de influenciadora- deve promover discussões sobre essa problemática em seus programas e reforçar o trabalho que já vem sendo feito com a retratação dos novos modelos de família existentes, gerando maior empatia em meio à população. Dessa forma, será possível garantir a igualdade e o respeito à célula mater da sociedade: a família.