O conceito de família no século XXI
Enviada em 08/10/2018
A família é a associação mais antiga da humanidade, mas, ao longo da história, sofreu adaptações. Essas mudanças têm relação direta com os contextos sociais de cada época, porém vários políticos as entendem como arbitrárias e perigosas. Sendo assim, uma nova concepção familial ainda encontra obstáculos judiciais, pois não é compreendida como reflexo natural da nova sociedade brasileira.
Recentemente, o Brasil mudou muito: de acordo com o IBGE, apenas metade dos parentes eram nucleares. Trata-se de uma grande quantidade de lares envolvendo casais sem filhos, mães solteiras, pais solteiros, avós criando netos, divórcios e relações homoafetivas. Além disso, consortes homossexuais têm cada vez mais intenção de adotar crianças. Para mais, a entrada da mulher no mercado de trabalho desencadeou transformações no cotidiano doméstico. Dessa forma, o governo deve abarcar esses novos conceitos de vida privada em suas instituições legais. No entanto, muitas agremiações governamentais continuam espelhando um padrão patriarcal e antiquado.
Ademais, em 2013, a celebração civil entre dois homens ou duas mulheres foi legalizada pelo Conselho Nacional de Justiça; contudo, inúmeros parlamentares defendem que essa alteração seja anulada. Trata-se da visão de que haveriam uniões úteis e inúteis, ou seja, de que apenas os esposos que podem procriar seriam interessantes ao Estado. Não obstante, isso não é verdade: os números de órfãos crescem a cada ano e muitos cônjugues do mesmo sexo demonstram disposição para adotá-los. Já outro argumento envolveria a ideia de que valores tradicionais estariam em risco. Entretanto, esse não é o caso - na verdade, o que ocorre é apenas uma mudança do perfil familiar. Destarte, no cenário atual, nota-se uma visão tradicionalmente preconceituosa e distante da realidade nacional, que coloca entraves a alternativas políticas.
Desse modo, é preciso que o brasileiro assimile as recentes conjunturas de parentela como frutos de transições históricas na comunidade. Para tanto, o Ministério da Escola deve atuar junto às Secretarias Municipais de Educação para combater o preconceito. Nesse programa de governo, o Ministério dos Direitos Humanos produzirá uma cartilha, contendo informações sobre as novas formas parentais e sua legitimidade. Tal documento será veiculado para os estudantes do Ensino Básico público, através de verba do orçamento público. Ainda, voluntários e educadores serão instruídos para implementar palestras e oficinas sobre o assunto nas escolas. Por meio dessa campanha socioeducativa, os alunos se informarão sobre o tópico e conhecerão propostas para a formação de uma sociedade mais livre. Isto posto, o jovem aprenderá a respeitar o novo caráter familiar como legítimo e como consequência da história.