O conceito de família no século XXI

Enviada em 11/10/2018

Desde a promulgação da constituição cidadã, em 1988, a democracia brasileira é consolidada nos pilares democráticos de liberdade e de igualdade. Entretanto, no que diz respeito à configuração da família contemporânea, esses direitos não são garantidos, gerando um paradoxo no cenário atual, visto que o conceito de família está se transformando e a pluralidade não é totalmente reconhecida devido a uma sociedade conservadora e ao preconceito enfrentado pelos que não são representados.

Em primeiro lugar, é evidente que o pensamento conservador ainda existe na sociedade. Em 2015, o “Estatuto da Família” foi lançado pela câmara dos deputados para definir um modelo que pode ser considerado um núcleo familiar. Contudo, esse projeto de lei legitima somente a união entre homem e mulher e não contempla a união de casais de mesmo sexo. De acordo com pesquisa do IBGE, é perceptível que cada vez mais aumenta o número de casamentos homoafetivos, divórcios, mulheres como chefe de família e a diminuição da taxa de fecundidade, por isso  esses novos retratos devem ser respeitados.

Ademais, essa perspectiva engessada do modelo estereotipado colabora com a perpetuação da intolerância. As crianças que não possuem um perfil familiar tradicional são vítimas de preconceito nas escolas. Frenquentemente, casos são noticiados nos jornais referentes a quantidade de crianças que esperam por adoção, entretanto, quanto menos casais do mesmo sexo e crianças adotadas sofrerem preconceito, mais incentivo outras pessoas terão para adotarem.

É imprescindível, portanto, o reconhecimento de outros arranjos familiares na contemporaneidade. Dessa forma, a escola como instituição social e de interação, deve inserir mais as famílias no ambiente escolar e promover palestras, com o objetivo de discutir a temática trazendo ensinamento e buscando coibir preconceitos. O governo também, necessita atuar e criar punições eficazes para a intolerância por meio de disque- denúncias que possam investigar esses casos, além de diminuir o processo burocrático de adoção para casais homoafetivos para que o maior número de crianças possam estar inseridos em um núcleo familiar.