O conceito de família no século XXI

Enviada em 12/10/2018

Fernando Pessoa, notável poeta do século XX, afirmava que crescer é transpor limites. Talvez hoje o escritor pudesse perceber sua máxima deturpada. Isso porque o preconceito que ainda existe com o que não é comum na sociedade e a dificuldade de muitos países em aceitar a homossexualidade contribui para que o antigo sistema familiar, limitado a união de pessoas de sexos opostos, continue prevalecendo como algo imutável. Todavia, além de ferir o princípio de isonomia dos ser, isso evidencia uma face intolerante da sociedade e que deve ser enfrentada.

A princípio, vale ressaltar que as pessoas vivem tempos de “modernidade líquida”. O conceito proposto pelo filósofo Zygmunt Bauman faz menção a rapidez com que as informações são repassadas, o que dificulta a reflexão acerca de dados recebidos e acostuma o ser a utilizar a pena o conhecimento prévio. Assim, o indivíduo quando apresentado à algo incomum, como a inda é vista a homossexualidade na sociedade, terá dificuldades em respeitar essa realidade, uma vez que sua formação pessoal se baseou apenas em uma esfera de vivência, o que dificulta ainda mais aceitação de uma nova organização familiar pautada na homoafetividade.

Outrossim, paradoxalmente a um Estado igualitário, a negligência de muitos países com a questão edifica outro cenário desafiador. No Brasil, por exemplo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, reconheceu um projeto que admite como família apenas núcleos sociais formados por um homem e uma mulher. Logo, o princípio de isonomia, independente de cor, raça ou sexo, que é defendido pelos Direitos Humanos, é amputado, o que caracteriza e evidencia uma das faces mais perversas de uma sociedade intolerante e desigual.

Fica evidente, portanto, que o conceito de família no século XXI não pode ser limitado por uma realidade tradicional intolerante e preconceituosa. E para garantir isso, é necessário que os Órgãos Educacionais de todos os países fomentem nas escolas, por meio de palestras e discussões durante as aulas, à aceitação da união homossexual como algo comum e natural, para que o repúdio ao que ainda é visto como algo  diferente e incomum seja minorado. Ademais, é imprescindível que todas as nações mundiais utilizem o poder do Estado para tabular leis que punam de forma severa qualquer tipo de ato homofóbico direcionado a indivíduos de mesma orientação sexual  e que, além disso, torne legítima a formação de uma família por pessoas de mesmo sexo, a fim de se ter pessoas e países mais tolerantes diante essa realidade. De certo, assim, como disse Fernando Pessoa, será possível crescimento da humanidade rumo a um mundo mais harmônico e equilibrado.