O conceito de família no século XXI

Enviada em 14/10/2018

O artigo 226 da constituição de 1988 reconhece, apenas,  a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, no entanto, a contemporaneidade dita outros moldes para esse conceito. No que tange a essa questão, o conservadorismo aliado ao preconceito contribuem para que outras concepções familiares se tornem marginalizadas.

De acordo com a teoria  “habitus” de Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora as estruturas sociais que são impostas à sua realidade. Partindo desse postulado, as pessoas passam a naturalizar certos padrões e designá-los como certos e únicos, excluindo outros desígnios. É o que ocorre com o casamento e a família, no século XVI, a Igreja Católica estipulou o matrimônio  como união entre homens e mulheres, e a partir desse momento tornou-se uma convenção aceita e reproduzida até hoje.

Contudo, o preconceito e a inadequação aos novos núcleos familiares acentuam a estereotipação. Recentemente um projeto de lei, estipulado pelo deputado Anderson Ferreira, fez referência ao Estatuto da Família, nele seria considerado entidade familiar aquela composta por casais heterossexuais reafirmando o que consta no artigo 226. Essa proposta vai de encontro ao panorama da sociedade vigente, já que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a formação “clássica” de casal com filhos corresponde a 49,9% dos domicílios,  enquanto outros tipos de famílias já somam 50,1%.

Torna-se evidente, portanto, que a uniformização de um conceito tão amplo é um fator a ser revertido. Cabe às instituições educacionais, por meio de aulas de ética e cidadania, ensinar às crianças a cerca das mais variadas formas de amor e de constituição familiar, a fim de instruí-los, ainda na infância,  a serem respeitosos com o diferente para que cresçam sem refletir em suas ações atitudes preconceituosas.  Além disso, a mídia, principal difusora de informações, deve veicular campanhas, que retratem os muitos grupos familiares, para que não haja uma padronização, com o intuito de que família represente somente o que deve ser, de fato: amor.