O conceito de família no século XXI
Enviada em 18/10/2018
A ideia de que a família corresponde ao cansamento, heterossexuais e procriação determinou por muito tempo a fronteira da legitimidade das famílias. Entretanto, essa ideia já não é totalmente aceito no século XXI, visto que o conceito de família passa por uma metamorfose na medida em que novos moldes familiares vão surgindo. Esses novos conceitos tem encontrado desafios, uma vez que perpetua-se na sociedade uma mentalidade antiga e conservadora incapaz de legitimar novos tipos de famílias.
A sociedade em geral é, desde sua origem marcada pela concepção de que família é àquela constituída por duas pessoas de sexo oposto. Mas, com o passar do tempo, novas combinações e formas de interação entre os indivíduos passaram a constituir diferentes tipos de famílias contemporâneas- como monoparentais, homoafetivas, pluriparentais entre outras. Nessa perspectiva, percebe-se que o conceito de família no século XXI foi ampliado e que é preciso legitimar esses novos grupos para que eles possam ter seu direitos igualmente garantidos pelo Estado, assim como as famílias tradicionais.
Em países como o Brasil o principal desafio está em reconhecer essa legitimidade. Quando o Estado e a sociedade não reconhecem essas famílias como legítimas, devido ao conflito entre os valores antigos e o estabelecimento de novas relações, acabam legitimando alguns modos de vida em detrimento de outros. A exemplo disso, pode-se destacar o projeto do Estatuto da Família, no qual o Estado brasileiro persiste em definir como entidade familiar apenas o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, o que ao invés de dar direitos, tira. Além de ser um projeto que vai contra os direitos previsto na Constituição, contribui para desestimular a tolerância com as diferenças e a convivência com a diversidade.
Diante desse cenário, evidencia-se a importância do Estado, instituição organizadora da ordem social, no papel de voltar os esforços públicos na defesa da igualdade de todos perante a lei. Isso pode ser feito através da criação de projetos de lei, que ao contrario do Estatuto da família, dê direitos iguais- como herança, plano de saúde corporativo, entre outros- aos diversos moldes familiares da contemporaneidade. Além disso, cabe a mídia, instituição propagadora de opiniões, mostrar para a sociedade por meio de propagandas em horário nobre que não há um conceito único de família e que ele permanece aberto a diversidade.