O conceito de família no século XXI

Enviada em 20/10/2018

No processo de colonização do Brasil, hábitos e costumes europeus, como o modelo heteronormativo de núcleo familiar, foram impostos como padrão de normalidade. Hodiernamente, uma das consequências desse processo é divergência entre a população acerca do conceito de família contemporâneo e isso evidencia a necessidade de uma articulação entre sociedade e Estado para impedir que configurações diferentes do que era aceito no século XVI sejam rejeitadas. Nessa conjectura, a discriminação com as minorias e manutenção de ideologias influenciam na problemática.

A princípio, destaca-se que uma grande parcela da população brasileira tende a rejeitar os grupos sociais que se diferem dos esteriótipos tradicionais. Nesse viés, as configurações familiares compostas por casais homossexuais sofrem discriminação, por exemplo, nas reuniões de pais e professores nas escolas. Isso, de acordo com o conceito de Ídolo da Caverna de Francis Bacon de que as sociedades modernas buscam o senso comum e dificultam a expressão do que é diferente disso, ocorre devido à tentativa de muitos brasileiros manterem a hegemonia dos comportamentos habituais. Logo, é evidente que a rejeição sofrida pelos menores grupos de uma comunidade é um obstáculo para que sejam incorporados aos conceitos habituais.

Ademais, ressalta-se que há uma resistência populacional em aceitar novos modelos familiares devido à sustentação de dogmas ocasionado, dentre outros fatores, por influência religiosa. De modo análogo a ideia de imutabilidade do Ser e da realidade do filósofo Parmênides, muitas instituições religiosas preservam o conceito de família formada por um homem, uma mulher e filhos em que a figura masculina obtém recursos e a feminina cuida do lar. Dessa forma, como a religião possui grande influência sobre os fiéis, o cenário de uma esposa que trabalha para sustentar a casa enquanto o marido cuida das tarefas domésticas não é aceito pelos integrantes dessas instituições.

Urge, portanto, que ações sejam realizadas para combater a problemática. Mormente, cabe às instituições de ensino, responsáveis por ensinar a criticidade, garantir que os alunos e seus pais não rejeitem modelos familiares diferentes do tradicional, por meio de palestras para esses indivíduos em que sejam expostos, por exemplo, casos de famílias estáveis formadas por casais homossexuais. Desse modo, o objetivo é desmistificar opiniões e combater a discriminação com as minorias. Concomitantemente, o quarto poder deve demonstrar que o modelo familiar europeu não está hierarquicamente acima dos outros, mediante a exposição mais ampla de dados, como pesquisas, que desconstruam tal pensamento. Assim, será possível a aceitação de novas ideologias e, consequentemente, outros modelos de família.