O conceito de família no século XXI

Enviada em 26/10/2018

A família do século XXI

De acordo com o dicionário Houaiss, a família pode ser representada por um núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, o que garante uma ampla diversidade de estruturas familiares em relação à tradicional. Entretanto, o recente Estatuto da Família tenta restringir esses grupos, não levando em conta a constante transformação das instituições sociais e impulsionando, assim, o preconceito entre os cidadãos. Logo, é fundamental compreender as causas dessas mudanças e as formações das famílias do século XXI.

Em primeiro lugar, é preciso analisar os motivos e as consequências do rompimento da família tradicional. O presente Estatuto define essa instituição como uma união apenas entre um homem e uma mulher, justificando-se pela capacidade de reprodução, e excluindo os demais arranjos familiares. Contudo, cada vez mais mulheres ingressam no mercado de trabalho e se tornam independentes para a criação de um filho; assim como mais casamentos homoafetivos vêm sendo reconhecidos desde 2013, quando passaram a ser legalizados. É nesse contexto de pluralidade que ocorre casos de preconceito, principalmente entre os mais conservadores em relação à comunidade LGBT - caso explícito em 2015, quando um filho de um casal gay morreu após ser agredido em SP.

Além disso, outros fatores contribuem para a formação de uma família contemporânea. Nesse sentido, a tecnologia é aliada às mulheres solteiras e aos casais homossexuais: as técnicas de reprodução assistida permitem-os alcançar o sonho de ter um filho de modo independente. Outro fator importante é que, segundo o Estatuto do Adolescente (ECA), solteiros maiores de 18 anos podem entrar com um pedido de adoção. Logo, duas mães, dois pais, filhos legítimos, filhos adotivos e tantas outras possibilidades começam a emergir.

Fica claro, portanto, que o conceito de família do século XXI deve ser respeitado pela população e pelo próprio Estado. É preciso que a escola, junto com os responsáveis, eduquem as crianças desde cedo por meio de aulas e conversas sobre o tema, mostrando e criando um respeito à pluralidade das famílias brasileiras atuais. Além disso, cabe ao Governo uma postura mais acolhedora e respeitosa em relação a seus cidadãos, alterando o segregativo Estatuto da Família para ser mais abrangente e englobar as novas combinações familiares; assim como a criação de leis mais rígidas para punir os atos preconceituosos. Somente dessa maneira, pode-se utilizar o coerente conceito de família pregado pelo dicionário Houaiss e desenvolver uma sociedade mais igualitária.