O conceito de família no século XXI
Enviada em 27/10/2018
O filósofo alemão Karl Marx já considerava nas suas obras a importância da desconstrução da família tradicional burguesa para a quebra de paradigmas antigos e possibilitar as modificações culturais necessárias para evolução da humanidade. Atualmente, apesar de várias alterações no âmbito sócio-cultural serem inevitáveis, ainda persistem grupos avessos ao reconhecimento dessas permutações a medida que são transferidos a núcleos familiares. Dessa forma, indivíduos costumam manifestar-se ora tolerantes ora preconceituosos diante das novas configurações de núcleos familiares existentes.
Primeiramente, família é um fenômeno social presente em todas as sociedades e um dos primeiros ambientes de socialização do indivíduo, atuando como mediadora de padrões, modelos e influências culturais. Em virtude disso, padrões seculares foram surgindo de forma a influenciar novas conformações de parentesco. Dados do IBGE entre 2000 e 2010 explicitam o aumento de mulheres chefes de família de 22,2% para 37,3%, além de aumento de casamentos homoafetivos em 45%. Contrariamente as afirmações de Marx, as novas conformações de parentes estão moldando a sociedade, sem precisar destruir a família tradicional de fato.
Apesar do aumento significativo de união de famílias alternativas, ainda persiste na sociedade manifestações contrárias aos novos ajustes das células da coletividade. Como por exemplo projetos de leis da câmara dos deputados brasileiros que só reconhecem laços co-sanguíneos e heteronormativos. Por consequência, questões referentes a planos de saúde, heranças e pensão terão que ser assegurados por outros tramites legais gerando mais burocracia para os indivíduos afetados.
Concluindo, a significação de parentesco na sociedade moderna deve acompanhar a evolução da sociedade. Para isso, a mídia que tem o papel informativo precisa trabalhar o tema da família contemporânea com maior frequência por meio de filmes, seriados e novelas com a finalidade de sensibilizar a população. Outrossim, o ministério da educação deve inserir na matriz curricular das escolas atividades lúdicas e palestras com a temática a fim de conscientizar os adolescentes. Com isso, espera-se a formação de indivíduos mais conscientes da realidade hodierna para que haja a extinção do preconceito a curto e a longo prazo.