O conceito de família no século XXI
Enviada em 29/10/2018
É possível afirmar que, até o século XX, o único tipo de família aceito e respeitado era a tradicional. Isso aconteceu, porque correntes filosóficas, como o catolicismo e períodos históricos, como o feudalismo, fortaleceram o modelo de vida patriarcal, constituído por mãe, pai e filhos, no qual a figura masculina concentra mais direitos e maiores poderes. Já no século XXI, perante a luta de várias minorias, o conceito de família mudou e se tornou mais amplo, incluindo os relacionamentos homoafetivos. Entretanto, o país enfrenta inúmeros desafios nesse sentido, como o preconceito e empecilhos para adoção.
Em primeiro lugar, podemos aplicar o pensamento de Albert Einstein, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”, ao cenário brasileiro, visto que algumas instituições, como a igreja e família tradicional não aceitam a existência dessa diversidade. Dessa forma, muitos ataques físicos e psicológicos são direcionados à famílias compostas por dois pais ou duas mães, por exemplo, o que fortalece o preconceito existente desde o século XV. Sendo assim, há uma marginalização dessa parcela populacional e o desrespeito aos direitos humanos.
Em segundo lugar, é preciso compreender que na legislação não há nenhum entrave para o processo, mas o conservadorismo dos juristas dificulta a adoção por famílias não convencionais. Esse cenário é comprovado por estudos realizados pelo jornal O Tempo, os quais evidenciam que dos 200 habilitados para adotar na Vara Cível da Infância em Belo Horizonte, desde 2010, apenas 8 são famílias formadas por homossexuais. Portanto, é preciso que medidas sejam realizadas para a reversão desse quadro.
Diante dos fatos supracitados, é necessário que o Ministério da Educação promova medidas em escolas, por meio do diálogo entre pais e alunos e a institucionalização de disciplinas que trabalhem o tema, para que o respeito ao diferente seja ensinado ainda na infância. Além disso, o sistema jurídico deve-se atentar a adoção, fornecendo chances igualitárias a famílias não tradicionais, através da imparcialidade da legislação, com o intuito de romper com o conservadorismo, uma vez que o Brasil é um país plural. Logo, espera-se que, em um futuro próximo, o conceito de família, que engloba todos os tipos de união, seja respeitado de fato.