O conceito de família no século XXI
Enviada em 31/10/2018
A revolução dos costumes, entre os anos 60 e 70, modificou radicalmente as estruturas sociais vigorantes desde o século XIX. Comportamentos e concepções, até então estáticos e hegemônicos, passaram por um re-arranjo. Nesse sentido verifica-se que as novas configurações familiares impactam sobremaneira a sociedade, seja no âmbito jurídico, seja no sociocultural.
Convém ressaltar, a princípio, que a Constituição Federal de 1988 reconhece apenas um núcleo familiar, composto por pai, mãe e filhos. No entanto, no século XXI, o número de famílias que não se enquadram nesse modelo, ultrapassou , segundo o Instituto de Geografia e estatística, os 50,1% no país. Diante desse novo cenário, o não reconhecimento governamental funciona como subterfúgio para exclusão, preconceito e hostilidade, marcado pela não aceitação do diferente, bem como pelo discurso tradicionalista.
Ademais, os impactos também são notados culturalmente, uma vez que a transição nos modelos familiares se deu da forma abrupta e intensa sobretudo no fim do século passado. Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade é caracterizada como líquida, uma clara alusão as transformações imediatistas e instantâneas da contemporaneidade. Sob essa ótica, os indivíduos, sobretudo os mais conservadores, relutam em aceitar a mudança no conceito de família. Consequentemente, aflora-se a intolerância e a disputa ideológica.
Dessarte, visando superar os impactos das novas configurações familiares, é mister a tomada de medidas. O Executivo Nacional deverá garantir que todas as famílias sejam adequadamente assistidas e respeitadas. Isso poderá ser feito mediante a aprovação de uma lei que reconheça os múltiplos arranjos familiares.A fim de atenuar o preconceito e a exclusão. Para tanto, faz-se necessário desconstruir paradigmas por meio do conhecimento. Porquanto, também deverá disseminar cartilhas educativas, com atividades envolventes e palestras sobre a temática.