O conceito de família no século XXI
Enviada em 31/10/2018
É indubitável que ao longo do desenvolvimento da sociedade contemporânea brasileira surgiram novas configurações familiares. Não obstante, os novos arranjos exigem do país um sistema judicial imparcial - a nível ideológico religioso - e funcional, o que não existe. Por consequência, esses núcleos familiares são expostos a exclusão social-judiciária, uma vez que são constante vítimas de intolerância por parte dos indivíduos exteriores, que possuem a ideologia de família tradicional enraizada.
Dessarte, integração da mulher ao mercado de trabalho na Primeira Guerra Mundial, a ‘‘revolução do sexo’’ em 1960 e a maior visibilidade de movimentos LGBTs são grandes marcos responsáveis pela dinamicidade das relações sociais, que rearranjaram a formação familiar. Entretanto, ao passo que esses fatores influenciavam e alterava a sociedade no Brasil, o país foi incapaz de acompanhar de forma proporcional com seu sistema judicial, o qual atualmente é formado por políticos religiosos e conservadores que criam obstáculos legais para impedir o reconhecimento dos modelos familiares que fogem da ‘’tradicional’’ junção homem e mulher. Ademais, esse atraso proposital é uma agressão à Constituição Cidadã que afirma que todos possuem os mesmos direitos legais perante o Estado.
Isto posto, qualquer discussão sobre a formação familiar vai de encontro aos questionamentos da sexualidade e gênero, que é visto como um ataque a estabilidade social e da moral - de teor judaico e cristão -, por conseguinte ressalta a exposição de discursos intolerantes que agridem e excluem o diferente. Esse comportamento é resultado da falta de conhecimento, visto que a família é um fenômeno cultural, desso modo está sujeito a diversas variações, segundo a psicanálise e antropologia, mas tal conceito não é difundido nem debatido de forma concisa entre os indivíduos. No Brasil, o nível de conservadorismo não é predominante, de acordo com Instituto DataFolha, todavia as pessoas que possuem influência política são adeptas a esses conceitos e bloqueiam a diversidade.
Os desafios da integração dos diferentes níveis familiares, portanto, é resultado da ignorância popular, que não compreende a dinâmica das relações sociais, junto ao limite do poder judicial em reconhecer de forma legal famílias que fogem do conceito retrógrado. Dessa forma, cabe ao poder Legislativo, por meio do Ministério de Justiça, a desburocratização do reconhecimento familiar, e que a Câmara dos deputados federais expanda a Constituição, no que diz respeito ao conceito da família. Ademais, é necessário que o Ministério de Educação incentive a tolerância e flexibilização das distintas formas de formar laços familiares a partir de projetos extracurriculares, nas escolas de todo Brasil, é fundamental que a educação seja visada, uma vez que, de acordo com filósofo Immanuel Kant é nela que assolha os grandes problemas da sociedade.