O conceito de família no século XXI

Enviada em 01/11/2018

A Revolução dos Costume, entre as décadas de 60 e 70, modificou radicalmente as estruturas sociais vigorantes desde o século XIX. Comportamentos e concepções, até então estáticos e hegemônicos, passaram por um rearranjo. Nesse sentido,  verifica-se que as configurações familiares são um claro reflexo dessa revolução e que ampliou sobremaneira o entendimento desse conceito, seja no âmbito jurídico, seja no sociocultural.

Convém ressaltar, a princípio, que a Constituição Federal de 1988 reconhece a família como o núcleo formado por pai, mãe e filhos. No entanto, no século XXI, o número de famílias que não se enquadram nos modelos tradicionais são mais de 50,1% em todo Brasil. Diante desse cenário, o não reconhecimento governamental fornece subterfúgios para exclusão, preconceito e hostilidade, marcado pela não aceitação do diferente, bem como pelo discurso tradicionalista. Em países de primeiro mundo, possuem políticas notadamente avançadas nesse quesito, a exemplo dos EUA que reconhece casais homoafetivos como família legal.

Ademais, os impactos dessa transformação são notados culturalmente, uma que a transição nos modelos familiares se deu de forma abrupta e intensa no final do século passado.  Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade é marcada pela falta de solidez, uma alusão ao imediatismo e instantaneidade das relações sociais. Sob essa ótica, os mais conservadores relutam para aceitar a mudança no conceito de família. Consequentemente, aflora-se a intolerância e austeridade.

Dessarte, visando superar os impactos das novas configurações familiares, é mister a tomada de medidas. O Executivo federal deverá garantir que todas as famílias sejam adequadamente assistidas e respeitadas. Isso poderá ser feito mediante a aprovação de uma lei que reconheça os múltiplos arranjos familiares. A fim de atenuar o preconceito e a exclusão. Para tanto, faz-se necessário desconstruir paradigmas  por meio do conhecimento. Porquanto, também haverá a disseminação de cartilhas educativas, com atividades envolventes e ministração de palestras.