O conceito de família no século XXI

Enviada em 13/03/2019

A antropóloga Ruth Benedict afirmou que a cultura é a lente pela qual a sociedade enxerga. Sob esse viés, a reestruturação familiar, na sociedade contemporânea, tornou-se alvo de preconceito e intolerância, em razão do conservadorismo enraizado culturalmente. Nesse cenário, os impactos ocasionados pela formulação de modernos núcleos familiares- união homoafetivos ou mães solteiras- violam preceitos morais e éticos de equidade proveniente da Constituição Cidadã.

Mormente, ao analisar a historiografia acerca da reestruturação familiar, nota-se que ascensão da mulher ao mercado de trabalho, devido ao movimento feminista, proporcionou efeitos perante uma sociedade machista. Sendo assim, a partir desse momento, a maternidade adquiriu uma nova conceituação, em virtude de ser comum observar a ausência da participação paternal, refletindo a independência feminina. No entanto, tal fenômeno moderno não foi bem visto socialmente , mas sim como uma situação fora dos padrões de normalidade, acarretando na manutenção do pensamento de família composta por mãe e pai e, consequentemente, causam a perpetuação de comentários maldosos e o pensamento arcaico.

Segundo o filósofo Francis Bacon: O comportamento humano é contagioso torna-se enraizado e frequente a medida que se reproduz. Desse modo, há o preconceito diante de famílias constituídas por casal homoafetivos, por causa do tradicionalismo cultural o que impulsiona atos violentos e a segregação das modernas formas familiar. Por consequência, com o objetivo de diminuir os impactos, a Câmara dos Deputados reformulou o conceito da instituição para conjunto de pessoas que possuem parentesco e vivem em um lar, porém ainda não surtiu efeitos sociais, posto que o conservadorismo é forte, necessitando de maiores transformações.

Urge, portanto, que o novo conceito de família ainda é fruto de preconceito e intolerância perante uma sociedade fortemente conservadora, necessitando de soluções imediatas. Diante disso, o Ministério da Educação deve promover o investimento em uma equipe de profissionais especializados em ciências sociais para que, por meio de debates educacionais e reflexivos em escolas e locais de grande movimentação, exibam as transformações ao longo dos anos em relação à família, além de romper, de maneira gradativa, com o tradicionalismo cultural imposto, com o intuito de garantir a integração desses novos núcleos e os direitos de equidade dos indivíduos conforme a Constituição Cidadã.