O conceito de família no século XXI
Enviada em 29/04/2019
As novas configurações de família caracterizam-se como uma das transformações históricas mais desafiadoras da sociedade atual. Antigamente, o conceito de família era definido a partir de um grupo de pessoas que compartilhavam de certo grau de parentesco, sendo composta pela união entre um homem e uma mulher e seus filhos. Contudo, devido a mudanças sociais, esta condição modificou-se, e hoje, existem numerosos tipos familiares que podem ser formados por indivíduos com gêneros iguais ou classes sociais antagônicas.
Diante de tal contexto, sob a perspectiva histórica, é importante dizer que até o final do século XVIII os casamentos eram baseados em questões religiosas, políticas e econômicas das famílias envolvidas. Não obstante, o sistema social mais aceito era o patriarcado, tendo a figura paterna como autoridade máxima de liderança política, social e moral. A título de exemplo, temos a Grécia Antiga, local que refletiu a ideia de poder que o patriarca mantinha sobre qualquer indivíduo na organização social de que fazia parte. Paralelo a isso, ainda no presente pode-se encontrar estes ideais e que em contraste com a Constituição de 1988 fazem-se contra o pluralismo pregado pela mesma lei suprema.
Ademais, como uma das possíveis causas dos novos arranjos familiares destaca-se a progressiva autonomia das mulheres frente as suas escolhas. Fato que fortaleceu a inserção feminina nos múltiplos âmbitos sociais e proporcionou a quebra de paradigmas impostos pelo meio. A partir disso, modelos de família chefiados por mulheres tornaram-se relevantes, visto que, além de cuidar da casa e dos filhos, o gênero feminino assumiu um papel que antes era destinado aos homens. Outra notoriedade, porém em menor proporção, se faz por meio dos casais homoafetivos, os quais, segundo dados da 2ª Vara da Infância e da Juventude de Natal, integraram 10% dos casais adotantes de crianças e adolescentes em Natal (RN) no ano de 2016.
Portanto, conclui-se que os novos retratos familiares expressam uma nova fase de liberdade e diversificação dos laços afetivos, mesmo frente a ideologias conservadoras e preconceituosas. Assim, faz-se necessária uma ação conjunta, na qual a mídia é responsável por informar a população, utilizando de propagandas publicitárias e ficções engajadas, a fim de contribuir para a desconstrução sociocultural e edificação do sentimento de empatia. Concomitantemente, o MEC, atuando nas escolas, deve ampliar projetos, como o “Rio Escola sem Preconceito”, com a finalidade de combater práticas discriminatórias desde o nível básico e incentivar atividades que possam garantir o entendimento sobre distintas temáticas.